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Caso Anna Freud – Mecanismos de Defesa

Tomarei como exemplo o caso de uma jovem mulher, empregada em uma instituição para crianças. Era filha intermediária de uma série de irmãos e irmãs. Durante toda a sua infância, sofreu veementemente inveja (do pênis), relacionada com seus dois irmãos (um mais velho e um mais novo), e de ciúme, o qual era repetidamente excitado pelos sucessivos períodos de gravidez da mãe. Finalmente, a inveja e o ciúme combinaram-se em uma feroz hostilidade contra a mãe. Mas, como a fixação de amor da criança era maior do que seu ódio, um violento conflito defensivo com os seus impulsos negativos sucedeu a um período inicial de desenfreada indisciplina e agressividade infantil. Temia que a manifestação de seu ódio lhe fizesse perder o amor materno, do qual não suportava ser privada. Também temia que a mãe a punisse e se criticava, da maneira mais severa, por suas ânsias proibidas de vingança. Ao ingressar no período de latência, essa situação de angústia e o conflito de consciência tornaram-se cada vez mais agudos e o seu ego tentou dominar tais impulsos de várias maneiras. Com vontade de resolver o problema da ambivalência, ela deixou aflorar um lado de seus sentimentos ambivalentes. A mãe continuou sendo um objeto de amor, mas, a partir daí, houve sempre na vida dessa paciente uma segunda pessoa importante do sexo feminino, a quem odiava violentamente. Isso facilitou a questão: seu ódio do objeto mais remoto não a atacava com um sentimento de culpa tão implacável quanto o que se manifestava, no caso da mãe.
Mas, apesar disso, o ódio deslocado era ainda uma fonte de grande sofrimento. Com o decorrer do tempo, apurou-se que esse primeiro deslocamento era inadequado como meio para dominar a situação.
O ego da menina recorreu então a um segundo mecanismo. Inverteu o ódio para dentro dela própria, quando até aí se relacionara exclusivamente com outras pessoas. A criança torturava-se com auto-acusações e sentimentos de inferioridade. Durante toda a infância e adolescência, até atingir a idade adulta, fez sempre tudo o que podia para colocar-se em desvantagem e lesar seus próprios interesses, abdicando de seus desejos e submetendo-se às exigências que lhe eram impostas por outras pessoas. Em toda a sua aparência externa, tornara-se masoquista, uma vez que adotava esse método de defesa.
Também essa medida provou ser inadequada, como recurso para dominar a situação. A paciente entregou-se então a um processo de projeção. O ódio que sentira pelos objetos femininos de amor ou seus substitutos transformou- se na convicção de que ela própria era odiada, menosprezada ou perseguida por aqueles. 0 seu ego, assim, encontrou alívio em relação ao sentimento de culpa. A criança traquina e rebelde, que alimentava sentimentos hostis contra as pessoas à sua volta, sofreu a metamorfose, convertendo-se em vítima de crueldade, negligência e perseguição. Mas o uso desse mecanismo deixou em seu caráter um permanente cunho paranóide, que constituiu uma fonte de enormes dificuldades para a moça, tanto na juventude como na fase adulta.
A paciente já era muito crescida quando veio a ser analisada. Não era considerada doente por aqueles que a conheciam, mas seus sofrimentos eram agudos. Apesar de toda a energia que o ego prodigalizara em sua própria defesa, ela não conseguira, realmente, dominar sua angústia e seu sentimento de culpa. Em qualquer ocasião que sua inveja, seu ciúme ou ódio estivessem em perigo de ativação, ela recorria invariavelmente a todos os seus organismos de
defesa. Mas os seus conflitos emocionais nunca chegaram a um ponto em que o seu ego pudesse ficar em repouso. Além disso, o resultado final de todos os seus esforços foi extremamente escasso. Conseguiu manter a fantasia de que amava a mãe, mas sentia-se repleta de ódio. Assim, desprezava-se e desconfiava de si própria. Não conseguiu preservar o sentimento de ser amada, que fora pelo mecanismo de projeção. Nem conseguiu escapar das punições de que tivera tanto medo na infância. Ao introjetar os impulsos agressivos, infligiu a si própria todo o sofrimento que anteriormente previra, sob a forma de castigos impostos pela mãe. Os três mecanismos que a paciente utilizou não puderam impedir o ego de permanecer em um estado de tensão e vigilância inquieto, nem o aliviaram das exageradas imposições que lhe eram feitas e dos sentimentos de tortura e aflição agudas que o flagelavam.

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Psicanálise

Presente, futuro e psicanálise

A psicanálise continua sendo, com seus avanços, poderosa arma terapêutica de ampliação do conhecimento sobre cada um e sobre relações humanas.

Como dispor do tempo que ainda viveremos -esse é nosso desafio, universalmente humano. Vale para qualquer idade e qualquer tempo, desconhecido, que a vida nos reservará. O presente é o fim e o início de dois tempos, passado e futuro, e é nele, no trânsito entre nossas recordações e nosso destino, que temos o nosso dizer e fazer.


O futuro se ancora nas escolhas que fazemos hoje, dentre aquilo que a vida nos apresenta e nossas criações próprias. Vivê-lo com qualidade ou jogá-lo fora depende de nós. Nos é dado redimensionar e reorganizar em nós o passado, mas, óbvio, não o viveremos mais.
Passado e futuro são referências apenas do presente. É disso que trata uma psicanálise. Diferentemente do que muitos imaginam, o fazer psicanalítico contemporâneo não se refere a falar do passado para entender o presente.


Ao inverso, por meio das formas relacionais que alguém mostra na sala de análise pode-se reconstruir imaginativamente seu passado, não necessariamente o factual, vivido “de fato”, mas, sim, a narrativa que dele faz para si mesmo.


Mais do que explicar, refere-se a compreender -ou criar sentidos em que a própria mente é apenas virtualidade, uma protomente.
Mais do que conjeturar o passado, importa configurar graus crescentes de liberdade interior para o indivíduo lidar com o presente e com a trama que imprime às suas relações, se apropriando daquilo que se vai revelando verdadeiro em seu ser. A apropriação de sua singularidade radical, a favor da vida, pode-se dizer o escopo nuclear de um processo analítico.


Não se trata, por exemplo, de uma pessoa não sofrer, mas, sim, de desenvolver seus equipamentos, em auxílio a se desviar dos sofrimentos evitáveis e enfrentar os que não o são. É assim que podemos ajudar. Estamos mais instrumentados que na época de Freud.


Além dos outros grandes mestres, a psicanálise segue, como todo campo de saber, sendo construída num trabalho diário de muitas mãos. Na Associação Psicanalítica Internacional, que Freud fundou, convivem e conversam entre si diversos modos de pensar, sendo natural, num mundo em rede como o nosso, um influenciar o outro.
Mantém-se perspectiva plural, para a maioria, por vezes pluralista.
A psicanálise representa hoje a peça de resistência do estudo da subjetivação e da subjetividade humana e segue tendo enorme influência em inúmeras outras áreas.


Continua sendo, com seus avanços, uma poderosa arma terapêutica de ampliação do conhecimento sobre cada um e sobre relações humanas.
Possibilitando a atualização de sua existência a cada um, permanece como uma ferramenta preciosa na busca de uma vida psíquica de qualidade. Como cada um de nós, ela não está pronta, fechada em seu saber e fazer. Influencia e é influenciada pelo tempo e pelo espaço que a circunda.

* PLINIO MONTAGNA, mestre em psiquiatria, psicanalista, é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), membro componente da Associação Psicanalítica Internacional. Foi docente da Faculdade de Medicina da USP. Fonte: Folha on line, 22/05/2011

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Psicanálise

O retorno de Freud!

Depois de passar décadas no ostracismo científico, as teorias de Freud voltaram a aparecer nos laboratórios — desta vez, com o apoio da neurociência.

Era julho de 2008. A capa da SUPER estampava: “Terapia funciona?”, em frente à imagem de um Freud sisudo de sobrancelhas cerradas. E completava: “Sim, o autoconhecimento funciona. Mas Freud talvez não tenha nada a ver com isso”. Dentro da revista, a reportagem era ainda mais implacável com o barbudo de Viena: lia-se que as teorias de Freud não tinham embasamento científico, que o tratamento era longo e imprevisível, e que o austríaco tinha até inventado fatos quando elaborou suas teses. Ao final do texto, o pai da psicanálise aparecia (metaforicamente) roxo e inchado, de tanto que havíamos batido nele.

A verdade é que Freud andava desacreditado havia tempo. Nos anos 1970, o filósofo austríaco Karl Popper já tinha chamado a psicanálise de pseudociência – segundo ele, suas hipóteses eram muito amplas para serem testadas e, portanto, impossíveis de confirmar.

Céticos apontavam que ninguém tinha encontrado, no cérebro, a localização de áreas correlatas ao id, ao ego ou ao superego. Mulheres diziam que não, elas não tinham inveja do pênis, muito obrigada. O complexo de Édipo e o medo da castração pareciam ficção, contada para pessoas dispostas a gastar muito dinheiro por anos a fio com um tratamento não comprovado pela ciência.

“Sem dúvida, nenhuma outra figura importante da história esteve tão errada quanto Freud a respeito de todas as coisas importantes que disse”, escreveu o professor de filosofia canadense Todd Dufresne.

Criticá-lo passou a ser lugar comum, e o “Freudbashing” (“bater em Freud”, em tradução livre) se tornou quase um esporte. O desenvolvimento de terapias mais curtas e pontuais parecia trazer as verdadeiras respostas para todos os males da mente. E, para completar, os medicamentos psiquiátricos nunca haviam sido tão eficientes. A psicanálise tinha sido deposta para sempre.

Opa, para sempre?

Surpreendentemente, nos últimos anos, Freud ressuscitou para a ciência – e começou a ser resgatado do lixo científico. Em vez de focar nos detalhes da sua teoria, as pesquisas começaram a reparar que os grandes conceitos do austríaco – a existência do inconsciente, o significado dos sonhos, as repressões de sentimentos – não eram exatamente histórias para boi dormir.

Também surgiram estudos mostrando que as terapias inspiradas na psicanálise, que costumam ser longas e custosas, são as mais eficientes para tratar males mentais. E mais: até mesmo a neurociência apareceu para dizer que… bem, Freud explica.

Fluxogramas do bem-estar

Primeiro, é bom entender como a terapia freudiana funciona. Um tratamento clássico pode envolver de quatro a cinco sessões por semana, por meses ou até anos. O paciente deve falar livremente o que lhe passa pela cabeça, enquanto o terapeuta escuta e faz questionamentos pontuais.

É um caminho tortuoso e lento – e, por isso, é difícil medir seus avanços. “A terapia tradicional vai muito além da redução de sintomas. O que os pacientes estão buscando é mais qualidade de vida, mais confiança e segurança nos relacionamentos, mais perspectiva sobre si mesmos”, diz Nancy McWilliams, professora da Universidade Rutgers e autora da obra Psychoanalytic Psychotherapy.

Nesse cenário, ainda nos anos 1960, psicólogos começaram a procurar soluções mais práticas e mensuráveis para os problemas da psique humana. A resposta foi a Terapia Cognitivo-Comportamental, ou TCC. Criada por Albert Ellis e Aaron Beck, dois psicanalistas desiludidos com o método freudiano, a TCC prometia uma abordagem mais pé no chão, que não exigia chafurdar no lodo de nossos conflitos inconscientes.

Bastava ajustar pensamentos prejudiciais – causados por crenças pessimistas a respeito de nós mesmos, do mundo e do futuro – e comportamentos pouco funcionais que surgem desses pensamentos. Nada de focar no passado, o foco é o presente. “Não é preciso saber como uma pessoa quebrou o braço para poder tratá-lo”, diz o terapeuta cognitivo Stefan G. Hofmann, autor do livro An Introduction to Modern CBT (“Introdução à TCC”, sem edição no Brasil). Nas sessões, o paciente pode preencher fluxogramas sobre seu estado mental e recebe dicas de exercícios para alterar os pensamentos e comportamentos negativos em momentos de crise.

Em 1961, Aaron Beck desenvolveu um questionário de 21 itens para medir o grau de depressão de seus pacientes. E conseguiu provar que alguns meses da técnica eram suficientes para aliviar os sintomas em cerca de metade deles.

Muitos estudos se seguiram a esses primeiros, sempre com resultados favoráveis à técnica. Tanto que, com o tempo, o termo “terapia baseada em evidência” passou a ser sinônimo do método, e a TCC, barata e com duração mais curta – o total varia de acordo com o paciente, mas a estimativa é entre 8 e 16 semanas –, foi adotada com entusiasmo como principal política de saúde mental em diversos países.

A volta de Sigmund

Assim como ocorreu com a psicanálise, porém, a TCC começou a ter sua hegemonia questionada. Em 2015, pesquisadores noruegueses publicaram uma meta-análise mostrando que a eficácia da terapia cognitiva para tratar a depressão caiu pela metade desde os primeiros estudos, em 1977.

Meses depois, na Suécia, auditores do governo publicaram um relatório devastador sobre um experimento de saúde mental do país, que pagou ao longo de oito anos R$ 2,6 bilhões em TCC para os cidadãos suecos. O programa do governo, concluíram os auditores, falhou completamente em seus objetivos.

E um artigo de 2004 mostrou como os pesquisadores da TCC, para tornar os resultados mais fáceis de interpretar, excluíam dos estudos justamente o tipo de paciente mais comum nos consultórios, aquele com mais de um problema psicológico.

Ao mesmo tempo em que a TCC era posta em dúvida, uma novidade inesperada começou a surgir nas publicações científicas: o resgate da abordagem freudiana de terapia. Ao contrário do que se dizia, a psicanálise e as terapias psicodinâmicas funcionam, sim, e muito bem.

Um estudo de 2016, enorme e feito no sistema de saúde inglês, mostrou que, para os pacientes com depressão mais grave, 18 meses de análise foram muito mais efetivos que o tratamento padrão, que incluía TCC. O mesmo resultado vale para outros transtornos, inclusive os mais severos.

É o que demonstra uma meta-análise publicada em 2008 no prestigioso JAMA, Journal of the American Medical Association, que concluiu que terapias freudianas com mais de um ano de duração são mais eficazes que terapias de curto prazo para pacientes com patologias complexas, como transtornos de personalidade.

O mais impressionante dos dados é que, diferente da terapia cognitiva e dos remédios, os benefícios da análise não só permaneceram, como ficaram ainda maiores após o final do tratamento, causando mudanças duradouras nos pacientes.

O cérebro no divã

Além das pesquisas populacionais comprovando sua eficácia, a psicanálise passou a ser endossada pela neurociência. Até o final da década de 1990, psicologia e neurociência falavam línguas completamente diferentes, apesar de estudarem o mesmo órgão. Com o avanço das técnicas de mapeamento cerebral, porém, a distância entre as duas áreas diminuiu.

A neurociência começou a se interessar por alguns dos conceitos fundamentais da psicanálise, como o inconsciente. Hoje, já se sabe que a maioria das nossas decisões e ações acontece, primeiro, nessa parte oculta da mente; só alguns milésimos de segundos depois é que tomamos consciência delas. Ou seja, o inconsciente já sabe o que você vai dizer antes mesmo de você pensar que quer dizer alguma coisa, e até escolhe as palavras para você.

É assim também com todas as habilidades que aprendemos na vida, como tocar violão ou pular corda. A prática faz com que essas habilidades fiquem gravadas em uma parte do inconsciente chamada “memória não declarativa”. Isso faz com que não precisemos pensar antes de executar cada movimento ou arremessar a bola na cesta: o inconsciente já sabe como chegar lá.

Hoje, já é senso comum que boa parte da atividade cerebral se passa no inconsciente – a estimativa dos neurocientistas é de que apenas 5%, ou até menos, se passe no nível da consciência.

Outro campo da neurociência que parece confirmar ideias da psicanálise é o dos sonhos. Freud teorizou que os sonhos apontam, de forma codificada, para nossos desejos inconscientes. Essa teoria foi praticamente enterrada nos anos 1970, quando pesquisas indicavam que os sonhos ocorriam durante o sono REM e eram controlados por um neurotransmissor produzido em uma região do tronco cerebral “menos importante” para os processos mais complexos da mente.

Por conta disso, passou-se a acreditar que os sonhos eram desencadeados por substâncias químicas que nada tinham a ver com a emoção e a motivação, ou seja, eram apenas estímulos aleatórios sem significado.

Essa teoria perdurou até o início dos anos 2000, quando o neurologista e psicanalista sul-africano Mark Solms viu que, ao contrário do que se pensava, pacientes com lesões na área do tronco cerebral continuavam sonhando, ao passo que outros, com lesões em outra região do cérebro – a área tegmentar ventral, que fica no centro da sua cabeça –, paravam de sonhar completamente, apesar de entrarem em REM.

As regiões afetadas nos pacientes que pararam de sonhar compõem o sistema mesolímbico-mesocortical, o chamado sistema de recompensa do cérebro. E o mais decisivo: além de parar de sonhar, as pessoas com lesões nesse sistema perdiam a motivação e o interesse pela vida. Com isso, Solms propôs que os sonhos estão ligados às nossas expectativas de punição e recompensa, algo não muito distante da teoria freudiana sobre o tema.

“É difícil dizer, hoje, que os sonhos são ‘desprovidos de mente’”, afirma o neurobiólogo Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. O interesse de Ribeiro pela psicanálise veio no início de seu doutorado nos Estados Unidos, quando ainda não estava adaptado ao país e teve uma depressão. Durante os dois meses que durou o episódio, ele sentia muito sono, chegando a dormir 16 horas por dia. Quando a crise passou, ele se interessou pelo sono e pelos sonhos, chegando a Freud.

O tema acabaria se tornando a linha de pesquisa principal do neurocientista, que desenvolveu estudos para ver o que acontece durante o sono quando os animais passam por períodos de aprendizado. Ele colocou eletrodos no cérebro dos bichinhos e descobriu que, se um rato não passou por nada de novo no dia dele, seu cérebro fica num estado de baixa plasticidade. Mas, se coisas diferentes acontecem durante a vigília, a atividade durante o sono REM muda. “É como se o cérebro estivesse aprendendo de novo”, afirma o cientista.

Para Ribeiro, essa é uma demonstração de que os sonhos contêm restos diurnos, o que Freud cravou em 1900. “O sonho não é aleatório. Ele revela as memórias que foram geradas, e que são a base do inconsciente”, afirma. Alguns sonhos, por sua vez, podem ser até “premonitórios”: uma pesquisa, publicada na revista Nature em 2015, mostrou que análises quantitativas da descrição de sonhos de adolescentes podem prever quadros psicóticos com até 30 meses de antecedência.

Reprimidos de verdade

O neurologista indiano Vilayanur Ramachandran, diretor do Centro para o Cérebro e Cognição da Universidade da Califórnia, em San Diego, é outro entusiasta da aproximação entre psicanálise e neurociência.

Em 1994, ele fez estudos com pessoas que sofriam de anosognosia, uma condição na qual pacientes não computam os graves danos físicos que haviam sofrido por causa de lesões cerebrais. Uma das pacientes de Ramachandran sofreu um derrame e perdeu os movimentos do braço, mas negava ter qualquer problema. Oito dias após o derrame, o cientista estimulou artificialmente o hemisfério direito da paciente, que, nessas condições, reconheceu a paralisia.

Ao término do estímulo, porém, a paciente voltou a acreditar que o membro estava normal, e perdeu qualquer lembrança de ter percebido a lesão, embora se lembrasse em detalhes do restante da conversa com o médico.

Ou seja, a informação da deficiência chegou ao cérebro da paciente, ao menos de forma inconsciente. Ela era, porém, incapaz de admitir isso em momentos de plena consciência.

Fato semelhante acontece com uma síndrome conhecida como psicose de Korsakoff, em que portadores de danos na região límbica frontal têm amnésia mas não admitem, inventando histórias para preencher as lacunas da memória.

É o caso de um paciente da neuropsicóloga Aikatereni Fotopolou, relatado por Mark Solms, que inventava narrativas mirabolantes para justificar a cicatriz em sua cabeça, ou a presença do pesquisador na sala. Ao longo dos dias, a história variava: Solms era um cliente; companheiro de bar; um colega do time em que jogara quando mais jovem; o mecânico de um carro esporte – que ele não possuía. Tudo, menos um médico tratando de um problema que, afinal, ele não admitia ter.

Ao analisar quantitativamente as alegações do paciente, Fotopolou percebeu que não eram aleatórias: a maioria representava aspirações, coisas positivas, desejos. Assim como os pacientes de Ramachandran, o homem reconstruía a realidade como gostaria que fosse. Era uma forma de lidar com a perda, equivalente à repressão teorizada por Freud – a ideia de que algumas memórias seriam dolorosas demais para mantermos e, por isso, acabam varridas para o fundo do inconsciente.

Na verdade, é difícil bater o martelo e afirmar que “Freud acertou aquilo” ou “Freud errou isso”. Como tudo que envolve a mente humana, não há uma única resposta para nossas inquietações – o que dirá uma única pessoa que seja capaz de explicá-las.

O que publicamos aqui na SUPER lá em 2008 não estava errado: a teoria de Freud é realmente cheia de generalizações e escorregões.

Talvez o maior acerto do austríaco tenha sido outro: “Mais que qualquer teoria específica, o legado de Freud é uma apreciação da riqueza e da complexidade da mente, do fato de que as coisas têm significados para além do que se pode ver na superfície”, diz Jonathan Shedler, psicólogo e professor de psiquiatria da Universidade do Colorado.

O que a ciência está fazendo agora é tentar fornecer as bases fisiológicas para toda essa complexidade. Algo que o próprio Freud, que era médico, neurologista e psiquiatra, aprovaria.

Fonte:

https://super.abril.com.br/ciencia/o-retorno-de-freud/

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Formação Profissional

UMA  NOVA  PSICANÁLISE  –  UMA  NOVA  VISÃO DO SER

 

A visão de uma psicanálise contemporânea, aberta e integrada a outras áreas do saber, permite uma busca segura dos motivos que levam o homem a ter determinados padrões de pensamentos e comportamentos.

 

Possuir uma formação pluralista, transpessoal e sistêmica com conhecimentos em técnicas das diversas correntes psicanalíticas permite uma visão ampla do ser, visto que cada pessoa manifesta-se de uma forma única, e todos possuem uma complexidade que só pode ser acessada com as ferramentas adequadas, tornando-se então fundamental o conhecimento dessas diversas áreas do saber para um processo mais seguro na compreensão do ser.

 

Essa nova psicanálise abre horizontes, quebra resistências e dissolve pré-conceitos, fortalece valores e crenças positivas, elimina idealizações fúteis, estruturas repressoras e limitantes do aprendiz a profissão.

 

Liberta, renova  e torna as mentes humanas mais livres e flexíveis frente a um vasto oceano inconsciente a ser desvendado.

 

Uma nova proposta em psicanálise deve compreender melhor as ações do homem e os sentimentos que os envolvem sistemicamente, deve permitir escolhas mais conscientes e saudáveis, equilibrando vidas e permitindo o encontro consigo mesmo, conduzindo-o a percorrer um caminho não quimérico, mas real de paz, amor e compreensão de si e do outro e de todo universo que nos cerca.

 

 

“Não existe  uma formação em Psicanálise, se não existir uma transformação em sua alma.”                  

 

Ricardo Dih Ribeiro

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Sagrado Feminino & Masculino

5 Práticas Para Despertar Todo Potencial do seu Sagrado Feminino

Não é uma religião. É uma corrente que defende que a mulher precisa se reconectar com a essência do que é feminino.

 

Princípios e práticas para despertar a sua shakti

 

  1. A Shakti é radicalmente inclusiva.

O caminho do Tantra diz “Sim” para toda a vida, não apenas as partes atraentes, as partes feias também. É tudo parte da grande tecelagem, cada segmento contribui para a integridade final desta tapeçaria da vida. Nós praticamos abraçar tudo e rejeitamos nada. Deste lugar de inclusão, agimos, temos preferências, falamos a nossa verdade.

Prática:
O que você está empurrando contra, agora em sua vida (a coisa que você menos gosta sobre o seu corpo, o aquecimento global, alguém que te irrita)? Imagine mover-se para o lado, tendo um olhar para a situação como ela é, mesmo se você não gostar dela ou compreendê-la, e ver o que está disponível para você quando você parar de rejeitar e alcançar mais aceitação.

  1. A Shakti é incorporada.

A nossa essência feminina sagrada é encontrada não por rejeitar o corpo, tentando meditar nosso caminho acima, para cima e longe do reino da terra para o céu, mas ao vir para baixo, abaixo e para dentro da alma habitando nossa forma feminina. Assim como qualquer planta deve primeiro ter raízes fortes, a fim de crescer e alcançar o céu, honramos o corpo como a base sagrada de nosso espírito.

 

Prática:
Conecte-se com a terra todos os dias, coloque o seu corpo ou seus pés no chão, encoste em uma árvore, tome três respirações profundas a partir do centro da terra em seus pulmões e no seu expirar, imagine lançar suas “raízes” para dentro do planeta.

  1. A Shakti cultiva o prazer como um portal para o Divino.

Nós nascemos seres sensuais. Nós somos projetados para buscar o prazer e evitar a dor. O prazer é fundamental para a nossa saúde, bem-estar e plenitude. Em algum lugar ao longo do caminho, aprendemos a suspeitar do prazer, aceitamos a ideia distorcida que o que é bom não é de alguma forma bom para nós. Nossa alegria final é lembrar nossa união sagrada com integridade, com o Divino.

 

Prática:
Pare neste momento e se conecte com o seu prazer: o que você vê, cheira ou ouve no seu ambiente ou sente no seu corpo agora que lhe agrada. Note isso uma escala de 1 a 10 e, em seguida, veja o que você pode fazer para elevar isso em alguns pontos. À medida que aumenta o prazer, permita que ele seja um bálsamo curativo em seu corpo, ligando-a à Fonte de quem você realmente é.

  1. A Shakti abraça a sexualidade como algo sagrado.

Nossa sexualidade nos oferece acesso à maior potência do mundo, a capacidade de criar uma nova vida. A união erótica de masculino e feminino, yin e yang, em conjunto, criam a totalidade, se estamos a amar o outro ou o nosso próprio casamento consigo mesmas.

Se estamos a criar um bebê, um negócio, ou inaugurar uma nova maneira de ser, estamos nos deliciando com o milagre sagrado da criação. A energia orgásmica inunda o nosso corpo com luz e, literalmente, nos dá a experiência momentânea de dissolver a ilusão da separação e conhecer a “iluminação”.

 

Prática: Feche os olhos e sinta a parte de você que veio de seu pai, o seu próprio masculino ou essência de Shiva, e a parte de você que veio de sua mãe, sua essência feminina ou Shakti. Imagine esses dois aspectos de si mesma loucamente apaixonados, adorando um ao outro, e num acoplamento erótico apaixonado. Desfrute de qualquer energia que surge e dedique-a, se você escolher, para o que você está querendo manifestar em sua vida.

  1. A Shakti está presente ao retornar a seus sentidos.

Nosso condicionamento de uma cultura hiper masculina muitas vezes nos mantém presas na mente: pensar, melhorar, tentando descobrir tudo, planejar, elaborar estratégias. São ferramentas úteis, mas também uma receita para a loucura quando fora de equilíbrio. Todas as práticas de meditação são projetadas para nos ajudar a despertar para a presença em vez de sermos incessantemente impulsionados por nossos pensamentos em grande parte neuróticos, medrosos e habituais. Chamar a atenção para a respiração, a abertura para as sensações de sentimento, audição, paladar, olfato e visão, permite-nos  descansar no momento presente, o único lugar onde os milagres vivem.

 

Prática:
Feche os olhos e traga a sua consciência para a respiração, como sente o ar entrando e saindo de seu nariz, seu corpo. Mantenha-se conectada à sua respiração, observe quais os gostos que são persistentes em sua língua, o que você ouve e cheira agora. Então, lentamente, abra os olhos para receber apenas aquilo onde eles pousam, texturas, cores, tons de luz. Observe como a plena consciência de seus sentidos naturalmente a orientam para a presença e para o relaxamento encontrado lá.

 

O princípio feminino, foi durante muito tempo na história da humanidade, reverenciado como a manifestação do poder primordial criador que flui através de nossos corpos e da Natureza. As mulheres eram consideradas sagradas pela capacidade de gerar vida, de acolher e cuidar, por sua beleza e sua intuição.

 

Atualmente, essa conexão encontra-se enfraquecida, mas ela pode ser rapidamente nutrida e vivificada com nossa energia e intenção.

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Autoconhecimento

As 10 doenças psicossomáticas mais comuns.

A palavra psicossomática é de origem grega. É uma junção de duas palavras gregas: psique (psico – alma) e soma (corpo). E, deste modo, uma doença psicossomática é aquela que não é exclusivamente somática, corporal, mas tem origem na psique, na alma. Evidente que é difícil dizer com clareza o que é a psique. Porém, a ideia é simples: a psique inclui tudo o que não conseguimos localizar no corpo de uma maneira específica: nossas emoções, sentimentos, pensamentos. Mesmo com as descobertas da neurociência, ainda há muitas questões a serem esclarecidas quanto à localização no cérebro.

Uma doença psicossomática pode não se manifestar se a pessoa estiver bem e reaparecer quando o paciente estiver com outros problemas associados.

 

  1. Dores musculares

Talvez neste momento, movimentar-se na vida esteja se tornando difícil para nós. Não estamos com boa flexibilidade seja em relação a nós mesmos, em casa ou no local de trabalho. Vamos tentar entender como melhorar a situação.

  1. Dor de cabeça

Dores de cabeça limitam o nosso processo de tomada de decisão. Talvez aconteça de termos enxaqueca justamente quando estamos prestes a tomarmos uma decisão. Seria o caso de dar um tempo para se dedicar ao relaxamento e à alguma atividade agradável, que possa aliviar a tensão.

  1. Dor de garganta

Dor de garganta indica que estamos tendo um momento difícil em perdoar os outros e a nós mesmos. Devemos tentar sentir uma maior empatia e carinho em relação a nós e aos outros. Assim, será mais fácil perdoar.

  1. Gengivas inflamadas

Talvez outras pessoas ao seu redor estejam tomando decisões que não seriam toleradas e que podem ser contrárias à sua maneira de pensar. Seria melhor tentar discutir e esclarecer os fatos.

  1. Dor no ombro

Pode significar que você está carregando em seus ombros uma grande carga emocional. Tente se esforçar mais para resolver seus problemas, mas também em compartilhar esse fardo com outras pessoas próximas.

  1. Dor de estômago

Temos dores no estômago quando não digerimos bem uma refeição, mas também quando é difícil “engolir” uma situação desagradável da nossa vida.

  1. Dor nas costas (na parte de cima)

Dor na parte superior das costas indica que você precisa de apoio emocional. Talvez você tenha a impressão de que ninguém te ame. Aproveite o momento para conhecer novas pessoas.

  1. Dor nas costas (na parte inferior)

Dor na parte inferior das costas pode indicar alguma preocupação com dinheiro, um pouco em falta no momento, mas também significa uma sensação de vazio emocional.

  1. Dor no cóccix e osso sacro

Talvez seja a hora de enfrentar uma questão importante que foi sendo adiada com o tempo. Melhor examiná-la a fundo e ir em busca da solução. Você não pode mais ficar sentado sobre o problema, é hora de se mover!

  1. Dor de cotovelo

Dor de cotovelo tem a ver com a resistência à mudança. Talvez seja hora de ousar e de se abrir para as coisas novas da vida ou pelo meno,s de se libertar.

Lembre-se desse parâmetro para fazer uma pré-avaliação sobre si mesmo, mas sempre que sentir um desconforto procure um profissional da saúde que poderá orientá-lo adequadamente e verificar não apenas os sintomas, as todas as possíveis origens.

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Sabedoria Ancestral

Entenda um pouco sobre o Temazcal ou Tenda Sagrada Xamânica

Temaskal ou Temaskali, também conhecido como sauna sagrada ou sweat lodge, INIPI, é um ritual das tradições dos índios norte-americanos e dos povos inca, maia e tolteca, é uma da mais bonitas e poderosas cerimônias nativas. A palavra é de origem maia que significa útero ou o ventre da Mãe Terra.

 

Também chamado de Tenda do Suor, Sauna Natural Sagrada ou Temaskali, é uma prática xamânica muito usada por diversas etnias indígenas, especialmente das regiões meso e sul americanas, onde habitaram os Maias, Astecas, Incas e Toltecas. O Inipi ou tenda tem a forma arredondada e com apenas uma abertura voltada para o leste, e um buraco na terra em seu centro. O ritual faz com que cada participante retorne ao útero da Mãe-Terra e, ao sentir o calor das pedras e o vapor da água, conheça melhor a si próprio, seus sentimentos, suas emoções e seus pensamentos. Assim, ao se purificar, todas suas relações passarão a ser diferentes.

É uma tenda para suar que tem um buraco ao centro, onde são colocadas pedras quentes, que antes foram esquentadas no fogo. Em seguida se coloca água sobre essas pedras, o que vai provocar um vapor a alta temperatura. O Temaskal consiste em criar um ambiente com vapor a alta temperatura. O que a difere de uma sauna comum, é a consciência e o respeito com os quais ela é praticada e por isso chama-se de “Sauna Sagrada”. 

 

A fusão das “Avós pedras” com o “Avo fogo” em profundo contato com a “Mãe Terra”  cria um ambiente onde a consciência pode se elevar deixando os medos para trás.

 

Essa tenda é composta por quatro portas, onde se colocam 7 pedras – chamadas de “Avos” – para a primeira porta e se adiciona a cada porta mais 7 “Avos”. Todo esse processo é feito com cantos, música, tambores, orações e incensos. Cada porta representa a purificação de um de nossos corpos, assim:

 

A primeira porta é para a purificação de corpo físico,

A segunda do corpo mental,

A terceira do corpo de Luz,

A quarta é o vôo, quando o Ser livre de cargas emocionais pode se conectar com sua essência ao estado puro.

BENEFÍCIOS DO TEMASKAL:

  • Temaskal permite aos participantes se liberarem de emoções presas e de enfrentar os medos inconscientes, permitindo assim a tomada de decisão do ponto mais cristalino do seu ser.

 

  • Renovação da pele ao favorecer a esfoliação superficial da mesma, ativando, ao mesmo tempo, a formação do manto ácido, tão importante na proteção de infecções cutâneas.

 

  • Descongestionamento das vias respiratórias, expansão dos pulmões e brônquios, com eliminação de toxinas acumuladas.

 

  • Aumento da circulação sanguínea, dilatando os vasos, e facilitando a eliminação do ácido úrico e do colesterol.

 

  • Efeito relaxante e estimulante do organismo, diminuindo problemas de stress, insônia, tensão nervosa, etc. Equilíbrio das emoções.

 

  • Ao realizar um Temaskal, limpamos nosso corpo, coração, mente e espírito do ritmo da vida cotidiana. Aumentamos nossa proteção sagrada, entramos em estado de meditação e unificamos com um propósito comum de harmonia com o planeta. No calor do Temaskal, o ego se enfraquece e começa a perder poder. Os medos, angústias recordações e coisas vividas vêem à tona para ser purificados. A entrada no útero da mãe terra é extremamente regressiva.

 

  • No escuro, ninguém julga ou observa; o silêncio, as músicas promovem um intenso sentir que abre o coração.

 

  • Uma grande descarga física e emocional vai de produzindo à medida que a sensação de liberdade vai se ampliando. O Temazcal é uma  chave para fazer consciente nosso sistema de crenças.

 

As forças vitais

Terra, Água, Vento e fogo são os elementos básicos das terapias no Temazcalli, elementos que não foram considerados inertes, mas dotados de energia vital e poder “conceber a natureza em analogia com o homem, mas mais poderosa eficazes, cada um deles combinados em si uma série de formas e características diferentes, por vezes, opostos. Essas forças além do controle humano encarnar, tornar-se compreensível em uma ampla gama de coisas que simbolizam: os donos das nascentes das colinas, cavernas, os senhores da chuva e relâmpagos. ”

Do ponto de vista da cosmogonia indígena o Temazcalli interage na geração de forças da vida: água, terra, vento e fogo, onde o equilíbrio da saúde e da perda de harmonia, a doença.

Note que o ponto de vista sobre as forças vitais, entre os grupos étnicos na Mesoamérica e América do Norte, são muito semelhantes nos dois grupos, cada um dos elementos que participam na cerimónia de vapor do banho santo tem um significado especial e um papel especial.

 

A terra

A Terra, cuja divindade é Tonanzin, nossa mãe, está presente em todos os lugares, como em seu suor. A Terra é uma entidade viva que reage ao comportamento dos homens, para que o relacionamento com ela não seja puramente mecânica, mas é estabelecida através de inúmeros ritos simbólicos, como o Temazcal. Tem a capacidade de absorver impurezas, é como um imã para tudo que é sujo e impuro para transformá-lo em seu laboratório, em seguida, transmutar, no sua alquimia. A cerimônia é meditar sobre como a Terra gira e leva todo o lixo que é jogado para retornar na forma de belas flores e frutos que nos alimentam. Devemos orar neste momento para Terra e perguntar, como tratamos nossa própria mãe, que absorve todas as impurezas que nos afligem, para aceitar todo o lixo acumulado e transformá-lo em algo útil e bonito.

 

Água

A água Atl Tlaloc, é dois terços do corpo humano, é o meio onde as reações químicas acontecem, é o recipiente de energia térmica e do ambiente que puxa para fora do corpo todos as reações metabólica. “A água é o elemento que proporciona a purificação, dá alimento, a fertilidade e o nascimento, isso se relaciona com os nove meses que passamos na água do ventre de nossa mãe.” Ela representa os seres trovão, que aparecem de uma forma terrível, mas que trazem benefícios. O encontro das águas com as rochas deitado no fogo é muito alto, e alguns vão sentir o intenso calor produzido, algo impressionante. Neste ponto é muito importante e necessária para concentrar-se na cerimônia e nas necessidades de cada um. É difícil orar, mais você vai sentir menos calor agora, ainda a vapor dos elementos purificam, curam e ajudam a viver com o grande espírito.

 

O ar

O ar “Ehecatl”, cuja divindade é Quetzalcoatl, sob a invocação de Ehecatl, transporta o oxigênio para as células para oxigenar o alimento e obter sua energia química, purifica o corpo também eliminando o dióxido de carbono. “Os cientistas podem explicar esse fenômeno de uma maneira sensata, mas para os nativos, o vapor de água e calor intenso, se chama comida de seu avô, o sopro do criador. Se uma pessoa se torna realmente pura, se você fizer um bom trabalho realizado e o contato com o sagrado, pode até ser que o grande espírito, naquele momento, envie uma luz para resolver o problema, dar a cada um de seus filhos, uma visão. Deve abrir os poros para suar na Temazcal; mas você tem que respirar tranquilamente pois ela pode te enfraquecer ou causar um desmaio. O temazcal limpa o suor. Deixe os pensamentos fluírem livremente, os sentimentos, para remover crostas e soltar o peso que estão na alma e mente intoxicadas. Descartar mágoas, perdoar, pedir desculpas, expressa a ansiedade … obrigado, confessar angústias internas, juntamente com o silêncio interior são expressões animadas que florescem no trabalho dentro do Temazcal . Quando a água é usada no Temazcal você pode entender o pensamento do grande espírito, que se estende na forma de vapor, para abastecer o seu poder e a vida de todas as coisas.

O incenso é um elemento muito importante para a preparação de um espaço sagrado, também, é um requisito básico para o preparo dos rituais e para condicionar os participantes convidados para a experiência mística e indução de transe espiritual. Isto porque o cheiro remete imediatamente para o sagrado, como no simbólico código cultural os aromas são associados com o divino. O cheiro está na memória dos povos, despertar memórias, causando essas sensações de prazer, pode promover diferentes sentimentos.

No caso de Temazcal, esta fumaça é usada para purificar o participante, antes de entrar no Temazcal, há um tipo de banho, limpar a fumaça sagrada, que é transmitido por todo o corpo, isto é para limpar, varrer as vibrações negativas que impedem que você se sinta bem.

 

O fogo

O fogo representada pela divindade “tetl” Xiuhtecutli, é a transformação de energia química em calor e luz. O fogo é como as coisas vivas, a relação entre matéria e energia. “O culto do fogo foi talvez o mais importante para os astecas e presidiu inúmeras cerimônias, sob a forma de incêndios. Esta cerimônia fomenta e integração da família. Na casa dos índios é o simbolismo do coração um elemento de unidade e coesão, de modo que aparece com destaque na casa, no meio da convivência da família. Com a presença do fogo implica que há vida em casa. Portanto, através deste elemento é mais fácil de entrar em comunicação com o mundo divino. Através do fogo as pessoas podem transmutar suas dores em felicidade, o mal à saúde e à doença. No Temazcal o fogo é representado pelas pedras quentes.

Em Temazcalli, terra, água, vento e fogo absorvem a energia negativa e transmuta em algo positivo. As moléculas individuais vibram em harmonia com as questões ambientais, uma situação que parece bem-estar físico e mental. A energia positiva e harmonia interior, e com o exterior são necessárias para a preservação da saúde ou recuperá-lo.

 

Existe alguma contra indicação?

Desaconselhamos a participação de pessoas que: ‐ passaram por procedimentos cirúrgicos recentes; ‐ possuem problemas cardíacos; ‐ sofreram agressões na pele recentemente, como queimaduras, tatuagens, piercing, etc.

Mulheres no período menstrual. Nessa tradição, guarda‐se um respeito por esse período. É dito pelos anciões que nesses momentos, o “poder pessoal” da mulher está voltada à direção da Terra (o Temazcal tem seu sentido voltado à direção do Céu). A menstruação é, segundo esses ensinamentos, uma “cerimônia individual” de doação de seu próprio sangue pela continuidade dos ciclos da vida. Nessa condição, em respeito à “cerimônia natural” do ser feminino, pede‐se que as mulheres durante seu período menstrual não partilhem da tenda.

 

 

 

 

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FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE – SOROCABA

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O curso é ministrado e coordenado pelo professor em psicanálise Ricardo Dih Ribeiro, que atua também como Psicanalista em sua clínica particular, tendo diversas especializações em Psicanálise, Estados Alterados de Consciência, Leader Training, PNL, Hipnose Clínica, Alinhamento Energético,Técnicas Projetivas, Palestrante, Escritor, Professor em Psicanálise , Coach, Analista de Perfil Comportamental e de Talentos, e Consultor de Empresas. Juntamente com Ricardo, estará um quadro de professores altamente qualificados e especializados.

 

Ricardo Dih Ribeiro explica que a psicanálise estudada na Casa da Psicanálise é um conjunto de técnicas de várias linhas e correntes psicanalíticas e matérias complementares de outras áreas que permitem novas percepções e a expansão da consciência. Tanto do nosso próprio eu, quanto da vida. “É através dela que iniciamos o caminho para o auto-encontro, podendo assim compreender melhor, e como mais profundidade, os mecanismos que nos levam a agir, sentir e pensar”, diz.

 

Acrescenta ainda que, a partir desta compreensão, é possível interagir positivamente nestes processos, analisando os motivos que nos levam a seguir determinados objetivos, se realmente o queremos e as quais atitudes nos levam e nos afastam dos mesmos.

 

Para Ricardo, o principal instrumento é o amor e não o divã. É através do amor doado ao paciente que a relação entre o profissional e o paciente é sustentada. “Se não tiver amor a ser doado ao paciente, o psicanalista nada poderá oferecer além de técnicas que podem impressionar em um primeiro momento, mas são vazias e não produzem uma solução de profundidade e com consistência”.

 

O psicanalista, de acordo com Ricardo, pode auxiliar o indivíduo na caminhada para dentro de si, quando está fora; e para fora de si quando está dentro. Para que assim assuma a responsabilidade sobre seus atos e possa agir e não se paralisar frente a vida, para que fale das insatisfações e se cale quando sua fala não for positiva para si mesmo e compreenda o que ela significa dentro do seu processo de vida.

 

Na visão de Ricardo, o grande problema da humanidade atualmente não é o crack, a cocaína ou qualquer outro entorpecente.  “O grande problema está sim ligado a um vício. Mas o vício da busca por segurança e reconhecimento. “Somos viciados na aprovação e no amor do outro para estarmos e nos sentirmos amados, protegidos e reconhecidos como pessoa”, diz, acrescentando que o papel da psicanálise é resgatar o indivíduo para a sua própria valorização, o seu auto-amor”.

 

E o mais surpreendente é que Ricardo coloca que toda essa percepção citada acima, em primeiro momento é colocada ao estudante em psicanálise para que ele possa conhecer-se e cuidar de si mesmo com profundidade, utilizando o período da formação para seu próprio crescimento. “Durante as aulas ocorrem processos de grande impacto de autoconhecimento, funcionando como uma grande terapia”, e ainda em suas palavras. “A formação é para o aluno construir em si, um ser humano melhor e mais consciente, equilibrando-se frente à vida. Depois este aluno pode se relacionar com as pessoas do seu círculo íntimo com mais tranquilidade e harmonia, depois então poderá ajudar as pessoas da sua comunidade, do seu círculo, e por fim, ser um excelente profissional e fazer da psicanálise sua profissão e seu ideal de vida”, conclui.  (Fonte: redação)

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Entenda a Psicanálise na Casa da Psicanálise?

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Compreender a complexidade do ser humano e a si mesmo, sempre foi uma busca incessante do homem. Desde o registro mais antigo aos dias atuais, estamos nesse caminhar, as vezes tão recompensador e delicioso como um dia de sol, mas também as vezes tão obscuro e torturante como a própria noite dos tempos das cavernas em que o homem primata pouco podia compreender além do prazer e do sobreviver diário, entre um gozo de vida e outro, escapando da sua morte.

O estudo da psicanálise contemporânea, propõe analisar o homem  e a busca dos inúmeros motivos que o levam a ter determinados padrões de pensamentos e comportamentos ao longo de toda a sua caminhada existencial, procurando  compreender todas as possibilidades que contribuem em maior ou menor escala em seu equilíbrio psíquico, olhando-o sempre como um ser transcendente e universalista.

Uma formação pluralista em conhecimentos e técnicas em diversas correntes da psicanálise, permitem-nos uma visão ampla do ser, visto que cada um se manifesta de uma forma única, e todos somos de uma complexidade que só pode ser acessada com a ferramenta correta, sendo então fundamental o conhecimento de diversas áreas do saber; da filosofia, da PNL, da Reflexologia, da farmacologia, da neurociências, da acupuntura, do coaching, dos florais, da hipnose, entre outras, para iniciarmos um processo contínuo da compreensão do ser.

Sabemos que isso não descaracteriza os ensinamentos, mas abre-nos horizontes, quebra resistências e dissolve preconceitos, fortalece nossos valores e crenças e elimina o que no fundo apenas existia como uma idealização fútil e repressora. Liberta, renova,  nos deixando mais flexíveis e integro com a nossa consciência, o que deve ser o quesito básico para receber uma outra alma humana.

Através destes conceitos podemos compreender melhor nossas ações, nossos sentimentos,  e poderemos de forma mais consciente fazer escolhas mais saudáveis, felizes e equilibradas em nossas vidas. Sendo assim permitir que nossos pacientes também se encontrem consigo mesmos e possam percorrer estes mesmos caminhos que percorremos com paz, segurança e amor.

“Não existe  uma formação em Psicanálise, se não existir uma transformação em sua alma”  

                                               Ricardo Dih Ribeiro

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Autoconhecimento Sagrado Feminino & Masculino

A MULHER E A CAIXA DE PANDORA

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O nome “Pandora” possui vários significados: panta dôra, a que possui todos os dons, ou pantôn dôra, a que é o dom de todos (dos deuses).
Deixando a historia de lado pela visão  milenar e vergonhosa do machismo, onde coloca a mulher como equivocada, pois a mesma abre a caixa de pandora e libera todo o mal para a humanidade, ou a coloca aliada ao mal,  pelo seu coração conter elementos perversos, onde ela o faz de modo consciente, o que a torna mais cruel, problemática e conflituosa ainda.
Na filosofia pagã, Pandora não é a fonte do mal; ela é a fonte da força, da dignidade e da beleza, portanto, sem a adversidade o ser humano não poderia melhorar.
E a na historia a mulher sempre representou um figura perigosa, que com sua beleza, graça, doçura e sensibilidades diversas, fazia com que os homens com toda a sua “força, inteligência e poder”, se perdessem em seus encantos e perdessem seu frágil controle da vida, dos outros e de si mesmo, então este sempre procurou não destruí-la pois precisava dela, mas mantê-la monitorada e sob rígido controle, tudo em vão.
Pobre homem que persiste em viver nestes novos tempos, onde não é mais o dominador, tenta ainda arrastar a mulher pelos cabelos como seu primo primata, mas em meios a tantos avanços capilares, os fios do cabelo da vida de sua submissa amada, escorre entre seus dedos calejados de equívocos ao longo dos séculos de fogueiras, forcas, agressões, trabalhos, profissões e salários abaixo da média dos seus pares ainda primatas.

Mas também ó pobre mulher que ocupou a vaga vazia  abandonada do trono deste homem infeliz, herdeiro do “Éden das possibilidades”  que se ausentou pelo medo das responsabilidades e de imediato projetou sua fraqueza na sensibilidade da mulher.
Penso que Pandora, não tinha uma caixa, ela é a a própria caixa, (ou vaso), os Deuses não a criaram como na história, apenas reconheceram seus dons de beleza, arte, justiça, habilidades, e então os homens superiores jamais conceberiam algo maior que eles, a menos que fosse sua criação, então desta forma, eles então ainda seriam maiores. Mas no pacote desta falsa criação acompanharam alguns defeitos, que na verdade são os defeitos velados destes mesmos criadores assustados.Ou seja, os males que saiam da Caixa de Pandora, na verdade são as inseguranças dos homens que não sabiam como lidar com esse a mulher que lhes tira a efêmera paz, controle e posse de tudo que foi herdade de um Deus obviamente homem e poderoso.

 

Então como os homens perceberam que falhavam e eram limitados,  fizeram o casamento perfeito com uma criatura feita de um pedaço destes, e o erro então seria natural,  pois a falha seria atribuído ao pedaço que lhe faltava, ou era o pedaço que errava e não eles, “PERFEITO”,  e assim a mulher ficou a sombra do tempo, escondendo a sombra do homem, que no fundo o pedaço que faltava, era da dignidade masculina riscada pelo medo do feminino que há em todo masculino.

A caixa de pandora e a mulher são inseparáveis, pois ambas são reveladoras e nós não podemos fugir quando elas colocam a sua luz em nossos olhos e nos mostram nossas imperfeições e fraquezas, no qual podemos juntos aprimorarmos e evoluirmos, e ainda mais, a mulher com a sua suavidade, naturalidade e amor,  adentra, repousa e conquista tudo que está nos céus, nos mares, e nas estrelas, a alma humana, conquista o seu eu próprio e nos mostra com amor e suavidade esse caminho para todos nós.

Ricardo Dih Ribeiro