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Samadhi, esse desconhecido

Sabe por que os professores de yoga do ocidente só ensinam asana? Porque não sabem ensinar outra coisa.

Sabe por que os professores de yoga do ocidente não sabem ensinar nada além de asana? Porque não conhecem outras coisas além de asana.

Sabe por que os professores de yoga do ocidente não conhecem outras coisas além de asana? Porque foram mal instruídos, porque inventaram que samadhi era coisa para semi-deuses e porque disseram-lhes que a prática postural bastava.

O que está na raiz disso é uma enorme confusão a respeito do sentido e dos objetivos do yoga.

Na passagem do séc. XIX para o séc. XX o yoga misturou-se com a ideologia higienista e com práticas e teorias que privilegiavam a saúde corporal. A yogaterapia nasce nessa época. Pouco tempo depois e como extensão dessa tendência veio o fisiculturismo, que também deu origem a vários sistemas de ginástica indiana.

Ao longo do séc. XX essas tendências se aprofundaram e se disseminaram. A yogaterapia deu origem a sistemas terapêuticos tais como o Viniyoga e o Iyengar Yoga. O culto ao corpo, expresso na influência que o fisiculturismo causou sobre o yoga, resultou no Ashtanga Vinyasa Yoga, no Bikram Yoga e em todas as modalidades de ginástica que privilegiam a flexibilidade, o fortalecimento e invenções modernas como «vinyasa» e «flow». No Brasil, entre as décadas de 1980 e 2000, um dos exemplos mais conhecidos dessa tendência foi o Swasthya Yoga.

O final do séc. XX trouxe inúmeros sistemas de ginástica e bem-estar inspirados no yoga. É humanamente impossível listar todos aqui. O que se pode constatar é que os sistemas que surgiram ao longo do séc. XX produziram muitos frutos a partir de meados da década de 1980 e sobretudo na virada para o séc. XXI. Por exemplo, a prática postural apoiada por acessórios no Iyengar Yoga preparou o terreno para inúmeros sistemas que se utilizam de cordas, panos e cintos e para o comércio que se lhes seguiu. O Ashtanga Vinyasa Yoga deu origem ao Power Yoga e a inúmeros sistemas baseados no princípio do seqüenciamento de posturas corporais, às vezes privilegiando os movimentos corporais — o que, é claro, lançou na lata do lixo toda e qualquer noção de asana. A yogaterapia foi a base para inúmeros sistemas como o Yoga Hormonal e o Yoga Restaurativo, onde técnicas inspiradas no hathayoga são utilizadas para curar males físicos e emocionais específicos.

Com alguma atenção não será difícil notar que nesses três parágrafos não há menções ao samadhi. Tudo o que foi criado, feito e ensinado nos últimos 100 anos tem como objetivo a obtenção de bem-estar físico, mental e emocional. Todo mundo conhece os benefícios do yoga para o corpo, para a mente e para as emoções, mas a maioria sequer imagina o que vem a ser samadhi. (Lembro de ter ouvido de uma praticante de Ashtanga Vinyasa Yoga uma frase que ilustra muito bem o atual estado de coisas: «Gosto muito de yoga. Eu até medito às vezes.»)

O que se deveria avaliar, a partir daqui, é em que medida a busca por um estado de bem-estar está relacionada aos objetivos originais do yoga. Porém, o que se nota é que esse tipo de avaliação não interessa à maioria dos professores e alunos. Isto ocorre por dois motivos.

O primeiro é o enraizamento de slogans que fazem apologia das ações corporais em detrimento do exercício intelectual. O mais conhecido destes slogans é «pratique e tudo acontecerá». Em discussões acerca do yoga, este slogan costuma reaparecer em outras versões, na forma de conselhos a respeito da atitude do indivíduo em relação à prática: «vamos praticar mais e falar menos?» ou «você precisa meditar mais» ou «o importante é sentir».

O segundo motivo está relacionado à própria confusão assinalada antes: não se pode discutir algo cuja natureza é desconhecida. Hoje a maioria dos praticantes — professores inclusive — simplesmente ignora o que realmente é o yoga e qual seu objetivo. Depois de 100 anos com o foco no bem-estar é natural que algumas pessoas cheguem a duvidar dos propósitos transcendentais do yoga e acreditem que o yoga consiste num conjunto de técnicas de relaxamento e flexibilização.

Para quem conhece o sentido profundo do yoga, a conclusão parcial que se pode extrair disso é: preocupe-se, mexa-se, faça algo. O silêncio é bom para os momentos em que se realiza o samyama. Em todos os outros momentos, faça como Arjuna: saque a espada e participe da batalha. Talvez o leitor pense que não há por que lutar ou que essa atitude é muito oposta ao que o yoga ensina, ao que eu perguntaria: de onde veio esse yoga a que você se refere? Como conciliar a atitude guerreira proposta por Krishna a Arjuna com a postura paz-e-amor das inúmeras modalidades de ginástica indiana que vemos hoje em dia?

 

FONTE: templodoyoga.org

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Os três obstáculos e as quatro maldades

Sansho Shima

O conceito budista de Os Três Obstáculos e as Quatro Maldades (sansho shima) elucida e classifica os diversos tipos de obstáculos e impedimentos que surgem ao praticar o budismo. O Buda Original Nitiren Daishonin refere-se a esse princípio em vários dos seus escritos, como na “Carta aos Irmãos”, na qual consta a seguinte passagem: “Se professar o Verdadeiro Budismo, Os Três Obstáculos e as Quatro Maldades (sansho shima) surgirão em sucessão”. (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. I, pág. 239.)

Nessa frase, Nitiren Daishonin incentiva os irmãos Ikegami, mostrando que os obstáculos surgem justamente por se aprofundarem na prática da fé. Em outras palavras, Os Três Obstáculos e as Quatro Maldades surgem a todo momento, tentando, de alguma forma, impedir nossa prática diária. Por isso, devemos estar sempre preparados para enfrentá-los.

Os Três Obstáculos são:

1) Obstáculo dos desejos mundanos (bonno-sho) ou obstáculos causados pelos três venenos da avareza, ira e estupidez;

2) Obstáculo do carma (gô-sho) ou obstáculo gerado pelo mau carma criado por cometer qualquer um dos cinco pecados fundamentais (1) ou dez maus atos (2). Esse obstáculo pode-se manifestar na forma de oposição da esposa e dos filhos;

3) Obstáculo da retribuição (hô-sho) ou obstáculo das causas negativas criadas por ações dos Três Maus Caminhos (Inferno, Fome e Animalidade). Pode-se manifestar na forma de obstáculos impostos pelo soberano, pais ou outros em posição de autoridade.

No mesmo escrito “Carta aos Irmãos”, Daishonin descreve: “O obstáculo dos desejos mundanos é o impedimento à prática da pessoa causado pela avareza, ira e estupidez; o obstáculo do carma é causado pela esposa ou filhos; e o obstáculo da retribuição é causado pelo soberano ou os pais”. (Ibidem, vol.I, pág. 240.)

As Quatro Maldades são: 

1) Maldade dos cinco componentes (on-ma) ou obstruções causadas pelas funções físicas e mentais da pessoa;

2) Maldade dos desejos mundanos (bonno-ma) ou obstruções originadas pelos três venenos, criando dúvida em relação ao Gohonzon;

3) Maldade da morte (shi-ma) ou obstrução à prática do budismo causada pela morte inesperada ou pela dúvida criada em função da morte prematura de algum praticante;

4) Maldade do rei dos demônios (tenshi-ma) causada pela ação do Demônio do Sexto Céu que diz-se assumir várias formas ou possuir as pessoas com a finalidade de causar dificuldades à prática do budismo. Assim, essa maldade é comumente manifestada na forma de opressão por homens de poder. Esta maldade é considerada a mais difícil de se superar.

O ponto importante é reconhecer que os obstáculos e as maldades são funções tentando nos influenciar e nos amedrontar de forma a obstruir o desenvolvimento de nossa prática da fé. O surgimento dos obstáculos é, na verdade, a maior prova do progresso da nossa fé. Portanto, quando identificamos essas funções, devemos manifestar a força e a coragem para desafiá-las, e jamais permitir que nos derrotem. Quando enfrentamos com toda a perseverança e ultrapassamos esses obstáculos, podemos elevar a nossa condição de vida. Esse é o verdadeiro caminho dos seres humanos para a felicidade.

Notas:
(1) Cinco pecados fundamentais: São as cinco ofensas mais sérias no budismo. Há algumas variações na explanação destes cinco pecados em função dos sutras e tratados budistas. Porém, de acordo com a explicação mais comum, os cinco pecados fundamentais são: 1) matar o pai; 2) matar a mãe; 3) matar um arhat (na atualidade, equivale a um líder extraordinário ou a um praticante do budismo); 4) ferir um Buda; e 5) causar a desunião em uma ordem budista.

(2) Dez maus atos: De acordo com os escritos budistas, os dez maus atos são constituídos de: três maus atos físicos, de matar, roubar e envolver-se em relação sexual ilícita; quatro maus atos verbais, de mentir, bajular (ou discursar usando palavras em vão e sem sentido), caluniar e enganar; e três maus atos mentais, da avareza, ira e estupidez ou de manter visões distorcidas.