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MÃE DE MENINO

“Toda mãe já chorou baixinho no escuro. Dormiu com o cabelo sujo ou sem escovar os dentes. Já se perguntou quando teria sua antiga vida de volta.
Bebeu seu café frio mesmo depois de requentado. Já foi ao banheiro com platéia. Saiu do chuveiro molhada às pressas porque escutou o bebê chorar. Já deixou cair o celular na cabeça do rebento.
Comeu chocolate escondida. Já passou mais tempo cheirando a vômito do que achou que suportaria. Pensou que iria morrer de cansaço. Já gargalhou sozinha impressionada com os puns e arrotos que um ser tão diminuto é capaz de soltar.
Ficou orgulhosa com as proezas que realizou com um bebê pendurado no peito. Já perdeu a paciência e gritou. Depois ficou se sentindo a pior mãe do mundo. Já desejou não ter sido mãe.

Toda mãe já se levantou no meio da noite para checar se o bebê estava respirando. Se emocionou com o primeiro sorriso, a primeira palavra, o primeiro carinho retribuído voluntariamente. Já meteu o dedo no cocô porque queria ter certeza de que a fralda estava suja, pra não arriscar acordar o pequeno à toa. Melou a roupa do bebê de molho de tomate por ter que almoçar com ele no colo. Já fez vista grossa pras teias de aranha no teto. Escondeu sujeira debaixo do tapete antes da visita chegar. Já pediu perdão mentalmente a todas as mães que julgou antes de ser mãe. Enxugou as lágrimas vendo fotos do filho recém nascido, comprovando o velho jargão materno de que o tempo passa rápido demais. Já olhou com ternura pra cria dormindo tranquila em seus braços e se sentiu plena de ser mãe.

Todas as circunstâncias que vivenciamos, as emoções tão conflitantes que sentimos, os êxitos e fracassos diários, longe de determinarem se somos uma mãe boa ou ruim, são apenas pequenas e grandes provas ou presentes que recebemos ao longo da nossa jornada e que nos ajudam no eterno processo de nos tornarmos as melhores mães que podemos chegar a ser.’

Texto de Gabrielle Costa de Gimenez @gabicbs
📸@elliana_allon