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Freud explica: entenda sete conceitos básicos da psicanálise

O campo de conhecimento estudado por Sigmund Freud busca entender os significados do inconsciente humano.

Quem nunca se viu repetindo comportamentos que havia prometido deixar para trás? Ou fazendo coisas que prejudicam a si mesmo, por mais irracional que isso pareça? Quantas vezes você se espantou com uma palavra fora de contexto que saiu no meio de uma frase? E sonhos bizarros, quem não tem?

Todas essas situações, sem relação aparente entre si, podem ser explicadas pela existência de uma única instância psíquica, que subverte nossas intenções e vontades: o inconsciente. A humanidade deve a Sigmund Freud essa descoberta. Apesar das transformações sociais, culturais e tecnológicas dos últimos 120 anos, o método psicanalítico criado por Freud para lidar com o mal-estar inerente à condição humana segue atual.

Ao criar esse novo campo do conhecimento, Freud desenvolveu diferentes conceitos teóricos para sustentar suas pesquisas. Confira a seguir os termos essenciais da psicanálise:

Inconsciente
Freud demonstrou que a maior parte da vida psíquica se desenrola sem que tenhamos acesso a ela. Ali se encontram principalmente ideias reprimidas que aparecem disfarçadas nos sonhos e nos sintomas neuróticos.

Ego
A parte organizada do sistema psíquico que entra em contato direto com a realidade e tem a capacidade de atuar sobre ela numa tentativa de adaptação. O ego é mediador dos impulsos instintivos do id e das exigências do superego.

Id
Fonte da energia psíquica, é formado por pulsões e desejos inconscientes. Sua interação com as outras instâncias é geralmente conflituosa, porque o ego, sob os imperativos do superego e as exigências da realidade, tem que avaliar e controlar os impulsos do id, permitindo sua satisfação, adiando-a ou inibindo-a totalmente.

Superego
É formado a partir das identificações com os pais, dos quais assimila ordens e proibições. Assume o papel de juiz e vigilante, uma espécie de autoconsciência moral. É o controlador por excelência dos impulsos do id e age como colaborador nas funções do ego. Pode tornar-se extremamente severo, anulando as possibilidades de escolha do ego.

Pulsão
Conceito situado na fronteira entre o psíquico e o somático. A pulsão é a representante psíquica dos estímulos que se originam no organismo e alcançam a mente. É diferente do instinto, pois não apresenta uma finalidade biologicamente predeterminada, e é insaciável, pois tem relação com um desejo, e não com uma necessidade.

Sonhos
Caminho de ouro para o acesso ao inconsciente. A interpretação do conteúdo dos sonhos revela desejos e percepções que de outro modo não chegariam à consciência.

Complexo de Édipo
Entre dois e cinco anos, aproximadamente, a criança desenvolve intenso sentimento de amor pelo genitor do sexo oposto e grande hostilidade pelo do próprio sexo. Tais sentimentos geralmente são vividos com grande ambivalência. O conflito costuma declinar por volta dos cinco anos, e uma boa estruturação da personalidade depende de sua resolução satisfatória.

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/11/freud-explica-entenda-sete-conceitos-basicos-da-psicanalise.html

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O retorno de Freud!

Depois de passar décadas no ostracismo científico, as teorias de Freud voltaram a aparecer nos laboratórios — desta vez, com o apoio da neurociência.

Era julho de 2008. A capa da SUPER estampava: “Terapia funciona?”, em frente à imagem de um Freud sisudo de sobrancelhas cerradas. E completava: “Sim, o autoconhecimento funciona. Mas Freud talvez não tenha nada a ver com isso”. Dentro da revista, a reportagem era ainda mais implacável com o barbudo de Viena: lia-se que as teorias de Freud não tinham embasamento científico, que o tratamento era longo e imprevisível, e que o austríaco tinha até inventado fatos quando elaborou suas teses. Ao final do texto, o pai da psicanálise aparecia (metaforicamente) roxo e inchado, de tanto que havíamos batido nele.

A verdade é que Freud andava desacreditado havia tempo. Nos anos 1970, o filósofo austríaco Karl Popper já tinha chamado a psicanálise de pseudociência – segundo ele, suas hipóteses eram muito amplas para serem testadas e, portanto, impossíveis de confirmar.

Céticos apontavam que ninguém tinha encontrado, no cérebro, a localização de áreas correlatas ao id, ao ego ou ao superego. Mulheres diziam que não, elas não tinham inveja do pênis, muito obrigada. O complexo de Édipo e o medo da castração pareciam ficção, contada para pessoas dispostas a gastar muito dinheiro por anos a fio com um tratamento não comprovado pela ciência.

“Sem dúvida, nenhuma outra figura importante da história esteve tão errada quanto Freud a respeito de todas as coisas importantes que disse”, escreveu o professor de filosofia canadense Todd Dufresne.

Criticá-lo passou a ser lugar comum, e o “Freudbashing” (“bater em Freud”, em tradução livre) se tornou quase um esporte. O desenvolvimento de terapias mais curtas e pontuais parecia trazer as verdadeiras respostas para todos os males da mente. E, para completar, os medicamentos psiquiátricos nunca haviam sido tão eficientes. A psicanálise tinha sido deposta para sempre.

Opa, para sempre?

Surpreendentemente, nos últimos anos, Freud ressuscitou para a ciência – e começou a ser resgatado do lixo científico. Em vez de focar nos detalhes da sua teoria, as pesquisas começaram a reparar que os grandes conceitos do austríaco – a existência do inconsciente, o significado dos sonhos, as repressões de sentimentos – não eram exatamente histórias para boi dormir.

Também surgiram estudos mostrando que as terapias inspiradas na psicanálise, que costumam ser longas e custosas, são as mais eficientes para tratar males mentais. E mais: até mesmo a neurociência apareceu para dizer que… bem, Freud explica.

Fluxogramas do bem-estar

Primeiro, é bom entender como a terapia freudiana funciona. Um tratamento clássico pode envolver de quatro a cinco sessões por semana, por meses ou até anos. O paciente deve falar livremente o que lhe passa pela cabeça, enquanto o terapeuta escuta e faz questionamentos pontuais.

É um caminho tortuoso e lento – e, por isso, é difícil medir seus avanços. “A terapia tradicional vai muito além da redução de sintomas. O que os pacientes estão buscando é mais qualidade de vida, mais confiança e segurança nos relacionamentos, mais perspectiva sobre si mesmos”, diz Nancy McWilliams, professora da Universidade Rutgers e autora da obra Psychoanalytic Psychotherapy.

Nesse cenário, ainda nos anos 1960, psicólogos começaram a procurar soluções mais práticas e mensuráveis para os problemas da psique humana. A resposta foi a Terapia Cognitivo-Comportamental, ou TCC. Criada por Albert Ellis e Aaron Beck, dois psicanalistas desiludidos com o método freudiano, a TCC prometia uma abordagem mais pé no chão, que não exigia chafurdar no lodo de nossos conflitos inconscientes.

Bastava ajustar pensamentos prejudiciais – causados por crenças pessimistas a respeito de nós mesmos, do mundo e do futuro – e comportamentos pouco funcionais que surgem desses pensamentos. Nada de focar no passado, o foco é o presente. “Não é preciso saber como uma pessoa quebrou o braço para poder tratá-lo”, diz o terapeuta cognitivo Stefan G. Hofmann, autor do livro An Introduction to Modern CBT (“Introdução à TCC”, sem edição no Brasil). Nas sessões, o paciente pode preencher fluxogramas sobre seu estado mental e recebe dicas de exercícios para alterar os pensamentos e comportamentos negativos em momentos de crise.

Em 1961, Aaron Beck desenvolveu um questionário de 21 itens para medir o grau de depressão de seus pacientes. E conseguiu provar que alguns meses da técnica eram suficientes para aliviar os sintomas em cerca de metade deles.

Muitos estudos se seguiram a esses primeiros, sempre com resultados favoráveis à técnica. Tanto que, com o tempo, o termo “terapia baseada em evidência” passou a ser sinônimo do método, e a TCC, barata e com duração mais curta – o total varia de acordo com o paciente, mas a estimativa é entre 8 e 16 semanas –, foi adotada com entusiasmo como principal política de saúde mental em diversos países.

A volta de Sigmund

Assim como ocorreu com a psicanálise, porém, a TCC começou a ter sua hegemonia questionada. Em 2015, pesquisadores noruegueses publicaram uma meta-análise mostrando que a eficácia da terapia cognitiva para tratar a depressão caiu pela metade desde os primeiros estudos, em 1977.

Meses depois, na Suécia, auditores do governo publicaram um relatório devastador sobre um experimento de saúde mental do país, que pagou ao longo de oito anos R$ 2,6 bilhões em TCC para os cidadãos suecos. O programa do governo, concluíram os auditores, falhou completamente em seus objetivos.

E um artigo de 2004 mostrou como os pesquisadores da TCC, para tornar os resultados mais fáceis de interpretar, excluíam dos estudos justamente o tipo de paciente mais comum nos consultórios, aquele com mais de um problema psicológico.

Ao mesmo tempo em que a TCC era posta em dúvida, uma novidade inesperada começou a surgir nas publicações científicas: o resgate da abordagem freudiana de terapia. Ao contrário do que se dizia, a psicanálise e as terapias psicodinâmicas funcionam, sim, e muito bem.

Um estudo de 2016, enorme e feito no sistema de saúde inglês, mostrou que, para os pacientes com depressão mais grave, 18 meses de análise foram muito mais efetivos que o tratamento padrão, que incluía TCC. O mesmo resultado vale para outros transtornos, inclusive os mais severos.

É o que demonstra uma meta-análise publicada em 2008 no prestigioso JAMA, Journal of the American Medical Association, que concluiu que terapias freudianas com mais de um ano de duração são mais eficazes que terapias de curto prazo para pacientes com patologias complexas, como transtornos de personalidade.

O mais impressionante dos dados é que, diferente da terapia cognitiva e dos remédios, os benefícios da análise não só permaneceram, como ficaram ainda maiores após o final do tratamento, causando mudanças duradouras nos pacientes.

O cérebro no divã

Além das pesquisas populacionais comprovando sua eficácia, a psicanálise passou a ser endossada pela neurociência. Até o final da década de 1990, psicologia e neurociência falavam línguas completamente diferentes, apesar de estudarem o mesmo órgão. Com o avanço das técnicas de mapeamento cerebral, porém, a distância entre as duas áreas diminuiu.

A neurociência começou a se interessar por alguns dos conceitos fundamentais da psicanálise, como o inconsciente. Hoje, já se sabe que a maioria das nossas decisões e ações acontece, primeiro, nessa parte oculta da mente; só alguns milésimos de segundos depois é que tomamos consciência delas. Ou seja, o inconsciente já sabe o que você vai dizer antes mesmo de você pensar que quer dizer alguma coisa, e até escolhe as palavras para você.

É assim também com todas as habilidades que aprendemos na vida, como tocar violão ou pular corda. A prática faz com que essas habilidades fiquem gravadas em uma parte do inconsciente chamada “memória não declarativa”. Isso faz com que não precisemos pensar antes de executar cada movimento ou arremessar a bola na cesta: o inconsciente já sabe como chegar lá.

Hoje, já é senso comum que boa parte da atividade cerebral se passa no inconsciente – a estimativa dos neurocientistas é de que apenas 5%, ou até menos, se passe no nível da consciência.

Outro campo da neurociência que parece confirmar ideias da psicanálise é o dos sonhos. Freud teorizou que os sonhos apontam, de forma codificada, para nossos desejos inconscientes. Essa teoria foi praticamente enterrada nos anos 1970, quando pesquisas indicavam que os sonhos ocorriam durante o sono REM e eram controlados por um neurotransmissor produzido em uma região do tronco cerebral “menos importante” para os processos mais complexos da mente.

Por conta disso, passou-se a acreditar que os sonhos eram desencadeados por substâncias químicas que nada tinham a ver com a emoção e a motivação, ou seja, eram apenas estímulos aleatórios sem significado.

Essa teoria perdurou até o início dos anos 2000, quando o neurologista e psicanalista sul-africano Mark Solms viu que, ao contrário do que se pensava, pacientes com lesões na área do tronco cerebral continuavam sonhando, ao passo que outros, com lesões em outra região do cérebro – a área tegmentar ventral, que fica no centro da sua cabeça –, paravam de sonhar completamente, apesar de entrarem em REM.

As regiões afetadas nos pacientes que pararam de sonhar compõem o sistema mesolímbico-mesocortical, o chamado sistema de recompensa do cérebro. E o mais decisivo: além de parar de sonhar, as pessoas com lesões nesse sistema perdiam a motivação e o interesse pela vida. Com isso, Solms propôs que os sonhos estão ligados às nossas expectativas de punição e recompensa, algo não muito distante da teoria freudiana sobre o tema.

“É difícil dizer, hoje, que os sonhos são ‘desprovidos de mente’”, afirma o neurobiólogo Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. O interesse de Ribeiro pela psicanálise veio no início de seu doutorado nos Estados Unidos, quando ainda não estava adaptado ao país e teve uma depressão. Durante os dois meses que durou o episódio, ele sentia muito sono, chegando a dormir 16 horas por dia. Quando a crise passou, ele se interessou pelo sono e pelos sonhos, chegando a Freud.

O tema acabaria se tornando a linha de pesquisa principal do neurocientista, que desenvolveu estudos para ver o que acontece durante o sono quando os animais passam por períodos de aprendizado. Ele colocou eletrodos no cérebro dos bichinhos e descobriu que, se um rato não passou por nada de novo no dia dele, seu cérebro fica num estado de baixa plasticidade. Mas, se coisas diferentes acontecem durante a vigília, a atividade durante o sono REM muda. “É como se o cérebro estivesse aprendendo de novo”, afirma o cientista.

Para Ribeiro, essa é uma demonstração de que os sonhos contêm restos diurnos, o que Freud cravou em 1900. “O sonho não é aleatório. Ele revela as memórias que foram geradas, e que são a base do inconsciente”, afirma. Alguns sonhos, por sua vez, podem ser até “premonitórios”: uma pesquisa, publicada na revista Nature em 2015, mostrou que análises quantitativas da descrição de sonhos de adolescentes podem prever quadros psicóticos com até 30 meses de antecedência.

Reprimidos de verdade

O neurologista indiano Vilayanur Ramachandran, diretor do Centro para o Cérebro e Cognição da Universidade da Califórnia, em San Diego, é outro entusiasta da aproximação entre psicanálise e neurociência.

Em 1994, ele fez estudos com pessoas que sofriam de anosognosia, uma condição na qual pacientes não computam os graves danos físicos que haviam sofrido por causa de lesões cerebrais. Uma das pacientes de Ramachandran sofreu um derrame e perdeu os movimentos do braço, mas negava ter qualquer problema. Oito dias após o derrame, o cientista estimulou artificialmente o hemisfério direito da paciente, que, nessas condições, reconheceu a paralisia.

Ao término do estímulo, porém, a paciente voltou a acreditar que o membro estava normal, e perdeu qualquer lembrança de ter percebido a lesão, embora se lembrasse em detalhes do restante da conversa com o médico.

Ou seja, a informação da deficiência chegou ao cérebro da paciente, ao menos de forma inconsciente. Ela era, porém, incapaz de admitir isso em momentos de plena consciência.

Fato semelhante acontece com uma síndrome conhecida como psicose de Korsakoff, em que portadores de danos na região límbica frontal têm amnésia mas não admitem, inventando histórias para preencher as lacunas da memória.

É o caso de um paciente da neuropsicóloga Aikatereni Fotopolou, relatado por Mark Solms, que inventava narrativas mirabolantes para justificar a cicatriz em sua cabeça, ou a presença do pesquisador na sala. Ao longo dos dias, a história variava: Solms era um cliente; companheiro de bar; um colega do time em que jogara quando mais jovem; o mecânico de um carro esporte – que ele não possuía. Tudo, menos um médico tratando de um problema que, afinal, ele não admitia ter.

Ao analisar quantitativamente as alegações do paciente, Fotopolou percebeu que não eram aleatórias: a maioria representava aspirações, coisas positivas, desejos. Assim como os pacientes de Ramachandran, o homem reconstruía a realidade como gostaria que fosse. Era uma forma de lidar com a perda, equivalente à repressão teorizada por Freud – a ideia de que algumas memórias seriam dolorosas demais para mantermos e, por isso, acabam varridas para o fundo do inconsciente.

Na verdade, é difícil bater o martelo e afirmar que “Freud acertou aquilo” ou “Freud errou isso”. Como tudo que envolve a mente humana, não há uma única resposta para nossas inquietações – o que dirá uma única pessoa que seja capaz de explicá-las.

O que publicamos aqui na SUPER lá em 2008 não estava errado: a teoria de Freud é realmente cheia de generalizações e escorregões.

Talvez o maior acerto do austríaco tenha sido outro: “Mais que qualquer teoria específica, o legado de Freud é uma apreciação da riqueza e da complexidade da mente, do fato de que as coisas têm significados para além do que se pode ver na superfície”, diz Jonathan Shedler, psicólogo e professor de psiquiatria da Universidade do Colorado.

O que a ciência está fazendo agora é tentar fornecer as bases fisiológicas para toda essa complexidade. Algo que o próprio Freud, que era médico, neurologista e psiquiatra, aprovaria.

Fonte:

https://super.abril.com.br/ciencia/o-retorno-de-freud/

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Autoconhecimento

O dilema do porco-espinho, de Arthur Schopenhauer

O dilema do porco-espinho é uma metáfora criada pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) para ilustrar o problema da convivência humana. Schopenhauer expôs esse conceito em forma de parábola na sua obra Parerga und Paralipomena, publicada em 1851, onde reuniu várias de suas polêmicas anotações filosóficas. O dilema do porco-espinho é apenas um parágrafo que surge no Volume II desta obra, no entanto, tornou-se um conto popular citado até mesmo por Sigmund Freud, o pai da psicanálise.

No livro Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia, de Rüdiger Safranski, o autor sugere que Schopenhauer inspirou-se em uma escalada ocorrida quando o filósofo tinha apenas 16 anos:

No livro Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia, de Rüdiger Safranski, o autor sugere que Schopenhauer inspirou-se em uma escalada ocorrida quando o filósofo tinha apenas 16 anos:

Finalmente, em 30 de julho de 1804 — quando a grande viagem já se aproxima de seu fim — chega a escalada da montanha Schneekopp [o Pico da Neve] na Silésia, então alemã, hoje na Polônia. A jornada leva dois dias. Arthur pernoitou com seu guia em uma cabana construída em um planalto intermediário, no sopé do cume mais alto da montanha. “Entramos em uma peça única cheia de pastores embriagados. […] Era insuportável; sua quentura animalesca […] produzia um calor candente”. A “quentura animalesca” dos homens amontoados naquele espaço exíguo — foi daqui que Schopenhauer tirou sua metáfora posterior dos porcos-espinho que se empurravam uns contra os outros para se defenderem do frio e do medo.( SAFRANSKI, 211, pg. 99)

O dilema do porco-espinho

Um número de porcos-espinho ​​se amontoaram buscando calor em um dia frio de inverno; mas, quando começaram a se machucar com seus espinhos, foram obrigados a se afastarem. No entanto, o frio fazia com que voltassem a se reunir, porém, se afastavam novamente. Depois de várias tentativas, perceberam que poderiam manter certa distância uns dos outros sem se dispersarem.

Do mesmo modo, as necessidades sociais, a solidão e a monotonia impulsionam os “homens porcos-espinho” a se reunirem, apenas para se repelirem devido às inúmeras características espinhosas e desagradáveis de suas naturezas. A distância moderada que os homens finalmente descobrem é a condição necessária para que a convivência seja tolerada; é o código de cortesia e boas maneiras. Aqueles que transgridem esse código são duramente advertidos, como se diz na Inglaterra: keep your distance! Com esse arranjo, a necessidade mútua de calor é apenas parcialmente satisfeita, mas pelo menos não se machucam.

Um homem que possui algum calor em si mesmo prefere permanecer afastado, assim ele não precisa ferir outras pessoas e também não é ferido.

Autor: Alfredo Carneiro

Fonte:

https://www.pensarcontemporaneo.com/o-dilema-do-porco-espinho-de-arthur-schopenhauer/

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Psicanálise

5 Dicionários de Psicanálise para baixar

 

                           Com Freud, a psicanálise produziu uma modificação sem precedentes na concepção do homem, o qual percebe, desde logo, que um determinismo inconsciente organiza sua existência. Tal determinismo revela-se claramente com Lacan como sendo o da própria linguagem. Aquilo que comanda o sujeito humano é o universo do discurso, onde precisa encontrar seu lugar. A linguagem psicanalítica também não é apenas um utensílio, mas conserva seu valor metafórico, algumas vezes poético, mesmo que tente assumir uma dimensão científica. Neste dicionário, escrito por praticantes ciosos de sua legibilidade, o leitor irá encontrar, além dos verbetes dedicados a diversos autores, uma apresentação precisa e referenciada dos conceitos psicanalíticos essenciais. Os encaminhamentos de um termo a outro oferecem a possibilidade de uma leitura descobridora. Esta edição vem a público enriquecida com glossários alemão-português, francês-português e inglês-português.

     Este trabalho deriva do projeto de dicionário promovido por Lacan em sua Escola, após o Vocabulário da psicanálise de Laplanche e Pontalis. Pensado a partir de uma base clínica sólida, os artigos oferecem um panorama completo dos conceitos psicanalíticos polidos, ademais, na recepção do pensamento de Freud inspirado pelas idéias de Lacan, e na recepção das ideias do próprio Lacan posteriormente. Também leva em conta alguns dos discípulos diretos de Freud e autores da escola de inglês. A complexidade de um ensino renovador e de alto nível teórico foi resolvida em exposições claras e explicativas. Cada artigo apresenta uma sucessão de aspectos de um conceito que assume o caráter de uma descrição relativa autônoma, mas todos os artigos são referenciados e cruzados entre si, o que permite leituras de descoberta pessoal. Os termos elaborados alcançam valor de significantes, isto é que ressoam em diversos registros; eles adquirem valores diferentes de acordo com sua história, seu contexto, os campos semânticos de onde eles se originam. E quando esses significantes são inseridos em uma análise estrutural rigorosa, será dito que eles estão inclinados a valer “matemas”.

 

Este dicionário reúne, em forma enciclopédica, os conceitos essenciais da psicanálise, desde as teses fundadoras estabelecidas por Sigmund Freud até formulações mais recentes, propostas a partir de Jacques Lacan. O dicionário também compreende; cronologias da vida e da obra de Freud e Lacan; listas de leituras sugeridas sobre os temas abordados; minucioso índice remissivo, temático e onomástico, que inclui pequenas biografias. Colaboraram para este dicionário mais de 50 especialistas, entre psicanalistas e professores universitários, dentre os quais, Joel Dor, Julia Kristeva, Philippe Julien, Pierre Fédida, Charles Melman, Giulia Sissa e Catherine Millot, sob a coordenação de Pierre Kaufmann, professor emérito da Universidade de Paris-X.

 

   O Dicionário Comentado do Alemão de Freud apresenta alguns dos mais importantes termos psicanalíticos alemães, todos de difícil tradução. Entre os quarenta verbetes do dicionário, encontram-se clássicos da psicanálise, tais como pulsão (Trieb), recalque (Verdrängung) e representação (Vorstellung), discutidos detalhadamente, em seções que podem ser consultadas conforme o grau de profundidade desejado. São apresentados os significados extraídos de dicionários antigos e atuais, e discutidas as conotações do termo no universo lingüístico germânico. Também é explicada sua etimologia e as partes que compõem a palavra. Através de uma tabela contrastiva, os sentidos e conotações do termo original podem ser comparados com os da palavra habitualmente adotada para traduzi-lo em português. São apresentados exemplos de frases e parágrafos, retirados de diversos períodos da obra de Freud, e é comentada a inserção do verbete no texto freudiano alemão. Um glossário multilíngüe permite consultar o dicionário a partir do português, alemão, espanhol, francês ou inglês.

 

 

 Na medida em que a psicanálise renovou a compreensão da maioria dos fenômenos psicológicos e psicopatológicos, e mesmo a do homem em geral, seria possível, num manual alfabético que se propusesse abarcar o conjunto das contribuições psicanalíticas, tratar não apenas da libido e da transferência, mas do amor e do sonho, da delinqüência ou do surrealismo. A nossa intenção foi completamente diferente: preferimos deliberadamente analisar o aparelho nacional da psicanálise, isto é, o conjunto dos conceitos por ela progressivamente elaborados para traduzir as suas descobertas.

 

FONTE: https://lacanempdf.blogspot.com/2019/02/dicionarios-de-psicanalise.html

 

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Universo Quântico

Isso não começou com você: Como traumas familiares moldam quem você é

Uma característica bem documentada sobre trauma familiar para muitos, é a nossa incapacidade de articular o que nos acontece. Nós não só sabemos como falar, mas também se perde em nossa memória. Durante um incidente traumático, nossos processos de pensamentos tornam-se dispersos e desorganizados de tal forma que já não reconhecemos as memórias como pertencentes ao evento original. Em vez disso, fragmentos de memória, dispersos como imagens, sensações corporais e palavras, são armazenados em nosso inconsciente e podem ser ativados posteriormente por qualquer coisa, mesmo que remotamente, que relembre a experiência original. Uma vez que eles são acionados, é como se um botão de rebobinação invisível tivesse sido pressionado, fazendo-nos reencontrar aspectos do trauma original em nossas vidas no dia-a-dia. Inconscientemente, podemos nos encontrar reagindo a certas pessoas, eventos ou situações de maneiras antigas e familiares que ecoam do passado.

Sigmund Freud identificou esse padrão há mais de cem anos. A reconstituição traumática, ou a “compulsão de repetição”, como Freud nomeou, é uma tentativa do inconsciente de reproduzir o que não está resolvido, para que possamos “entender”. Essa unidade inconsciente para reviver eventos passados ​​poderia ser um dos mecanismos que trabalha quando as famílias repetem traumas não resolvidos nas gerações passadas.

O contemporâneo de Freud, Carl Jung, também acreditava que o que permanece inconsciente não se dissolve, mas ressurge em nossas vidas como destino ou fortuna. “Tudo o que não surge como consciência”, disse ele, “retorna como destino”. Em outras palavras, é provável que continuemos repetindo nossos padrões inconscientes até trazê-los à luz da consciência. Jung e Freud observaram que tudo o que é muito difícil de processar não desaparece por conta própria, mas sim é armazenado em nosso inconsciente.

Freud e Jung observaram cada vez que fragmentos de experiências de vida previamente bloqueadas, suprimidas ou reprimidas apareciam nas palavras, gestos e comportamentos de seus pacientes. Durante décadas, terapeutas viram pistas, como lapsos de linguagem, padrões de acidentes, ou imagens oníricas como mensageiros que brilham uma luz para as regiões indizíveis e impensáveis de vida de seus clientes.

Os avanços recentes na tecnologia de imagem permitiram que os pesquisadores desvendassem o cérebro e as funções corporais que “falharam” ou “quebraram” durante episódios devastadores. Bessel van der Kolk é um psiquiatra holandês conhecido por sua pesquisa sobre o estresse pós-traumático. Ele explica que durante um trauma, o centro de fala encerra, assim como o córtex pré-frontal medial, a parte do cérebro responsável por experimentar o momento presente. Ele descreve o “terror sem fala” do trauma como a experiência de estar em uma “perda de palavras”, uma ocorrência comum quando os caminhos cerebrais de lembrança são dificultados durante períodos de ameaça ou perigo. “Quando as pessoas revivem suas experiências traumáticas”, diz ele, “os lobos frontais ficam prejudicados e, como resultado, eles têm dificuldade para pensar e falar”.

Ainda assim, tudo não é silencioso: palavras, imagens e impulsos que se fragmentam após um evento traumático emergem para formar uma linguagem secreta de nosso sofrimento que carregamos conosco. Nada está perdido. As peças acabaram de ser reencaminhadas.

As tendências emergentes em psicoterapia estão agora começando a apontar além dos traumas individuais também incluem eventos traumáticos na história familiar e social como parte do quadro inteiro. As tragédias que variam em tipo e intensidade — como o abandono, o suicídio e a guerra, ou a morte precoce de uma criança, pai ou irmão — podem enviar ondas de choque de angústia em cascata de uma geração para a próxima. Desenvolvimentos recentes nos campos da biologia celular, neurobiologia, epigenética e psicologia do desenvolvimento sublinham a importância de explorar pelo menos três gerações de história familiar para entender o mecanismo por trás dos padrões de trauma e sofrimento que se repetem.

A seguinte história oferece um exemplo vívido

Quando conheci Jesse, ele não teve uma noite inteira de sono por mais de um ano. Sua insônia era evidente nas sombras escuras ao redor de seus olhos, mas o vazio de seu olhar sugeria uma história mais profunda. Apesar de apenas vinte anos, Jesse ficou com pelo menos dez anos de idade. Ele afundou no meu sofá como se suas pernas já não aguentassem seu peso.

Jesse explicou que ele tinha sido um atleta-estrela e um aluno com ótimas notas, mas que sua persistente insônia havia iniciado uma espiral descendente de depressão e desespero. Como resultado, ele abandonou a faculdade e teve que perder a bolsa de beisebol que ele tinha batalhado tão duro para conseguir. Ele procurou desesperadamente ajuda para recuperar sua vida e colocar ela no caminho certo. Ao longo do último ano, ele tinha estado em três médicos, dois psicólogos, uma clínica de sono e um médico naturopata. Nenhum deles, ele relatou em um monólogo, foi capaz de oferecer qualquer ideia do que fosse ou ajuda real. Jesse, olhava principalmente para o chão enquanto compartilhava sua história, me disse que estava no fundo do poço.

Quando perguntei se ele tinha alguma ideia sobre o que poderia ter desencadeado sua insônia, ele balançou a cabeça. O sono sempre veio facilmente para Jesse. Então, uma noite, logo após o décimo nono aniversário, ele acordou de repente às 3:30 da manhã. Ele estava gelado, tremendo, incapaz de se aquecer, não importava o que tentasse. Três horas e vários cobertores mais tarde, Jesse ainda estava bem acordado. Não só ele estava frio e cansado, como ele foi agarrado por um estranho medo que ele nunca experimentou antes, um medo de que algo horrível pudesse acontecer se ele se deixasse caísse no sono. Se eu for dormir, nunca vou acordar. Toda vez que ele sentia-se sonolento, o medo o trazia de volta à vigília. O padrão repetiu-se na noite seguinte, e a noite depois disso. Logo a insônia tornou-se uma provação noturna. Jesse sabia que seu medo era irracional, mas ele se sentia indefeso para acabar com isso.

Escutei atentamente enquanto Jesse falava. O que se destacou para mim era um detalhe incomum — ele estava extremamente frio, “congelando”, ele disse, antes do primeiro episódio. Comecei a explorar isso com Jesse e perguntei se alguém de ambos os lados da família sofria de um trauma que envolvesse “frio”, ou estar “adormecido” ou algo com a idade “dezenove”.

Jesse revelou que sua mãe tinha recentemente informado sobre a trágica morte do irmão mais velho de seu pai — um tio que ele nunca soube que ele tinha. O tio Colin tinha apenas dezenove anos quando congelou até a morte controlando as linhas de energia em uma tempestade ao norte de Yellowknife, nos Territórios do Noroeste do Canadá. Trilhas na neve revelaram que ele tinha se esforçado para não cair. Eventualmente, ele foi encontrado à beira de uma nevasca, tendo perdido consciência por conta da hipotermia. Sua morte foi uma perda tão trágica que a família nunca falou seu nome novamente. Agora, três décadas depois, Jesse estava inconscientemente revivendo aspectos da morte de Colin — especificamente, o terror inconsciente de adormecer. Para Colin, cair significava morte. Para Jesse, adormecer deve ter sentido o mesmo.

Fazer a conexão foi um ponto de virada para Jesse. Uma vez que ele percebeu que sua insônia tinha sua origem em um evento que ocorreu trinta anos antes, ele finalmente teve uma explicação para o medo de adormecer. O processo de cura agora poderia começar. Com ferramentas que Jesse aprendeu em nosso trabalho em conjunto, que será detalhado mais adiante neste livro, ele conseguiu se libertar do trauma sofrido por um tio que ele nunca conheceu, mas cujo terror ele inconscientemente assumiu como seu. Não só Jesse se sentiu livre da neblina pesada da insônia, ele ganhou uma sensação mais profunda de conexão com sua família, com seu presente e seu passado.

Na tentativa de explicar histórias como a de Jesse, os cientistas agora são capazes de identificar marcadores biológicos — evidências de que os traumas podem e passam de uma geração para a outra. Rachel Yehuda, professora de psiquiatria e neurociência na Mount Sinai School of Medicine em Nova York, é um dos principais especialistas mundiais em estresse pós-traumático, uma verdadeira pioneira neste campo. Em numerosos estudos, Yehuda examinou a neurobiologia do TEPT em sobreviventes do Holocausto e seus filhos. Sua pesquisa sobre o cortisol em particular (o hormônio do estresse que ajuda nosso corpo a voltar ao normal depois de experimentar um trauma) e seus efeitos sobre a função cerebral revolucionaram a compreensão e o tratamento do TEPT em todo o mundo. (Pessoas com TEPT revivem sentimentos e sensações associadas a um trauma apesar do fato de que o trauma ocorreu no passado.)

Yehuda e sua equipe descobriram que os filhos de sobreviventes do Holocausto que tinham TEPT nasceram com níveis baixos de cortisol semelhantes aos seus pais, predispondo-os a reviver os sintomas de TEPT da geração anterior. Sua descoberta de níveis baixos de cortisol em pessoas que experimentaram um evento traumático agudo tem sido controversa, indo contra a noção de longa data de que o estresse está associado a altos níveis de cortisol. Especificamente, nos casos de TEPT crônica, a produção de cortisol pode ser suprimida, contribuindo para os baixos níveis medidos em ambos os sobreviventes e seus filhos.

Yehuda descobriu níveis baixos de cortisol em veteranos de guerra, bem como em mães grávidas que desenvolveram TEPT depois de serem expostas aos ataques do World Trade Center e em seus filhos. Não só ela descobriu que os sobreviventes em seu estudo produziram menos cortisol, uma característica que eles podem transmitir aos seus filhos, ela observa que vários distúrbios psiquiátricos relacionados ao estresse, incluindo TEPT, síndrome da dor crônica e síndrome da fadiga crônica, estão associados a baixos níveis sanguíneos de cortisol. Curiosamente, 50 a 70 % dos pacientes com TEPT também atendem os critérios diagnósticos para depressão maior ou outra disposição ou transtorno de ansiedade.

A pesquisa de Yehuda demonstra que você e eu somos três vezes mais propensos a experimentar sintomas de TEPT se um dos nossos pais tiveram TEPT e, como resultado, é provável que soframos de depressão ou ansiedade. Ela acredita que este tipo de TEPT geracional é herdado, em vez de ocorrer de nossa exposição às histórias de nossos pais sobre suas provações. Yehuda foi uma dos primeiros pesquisadores a mostrar como descendentes de sobreviventes de trauma carregam sintomas físicos e emocionais de traumas que eles não experimentam diretamente.

Esse foi o caso com Gretchen.

Depois de anos tomando antidepressivos, participando de sessões de conversação e terapia grupal e tentar várias abordagens cognitivas para mitigar os efeitos do estresse, seus sintomas de depressão e ansiedade permaneceram inalterados.

Gretchen me disse que não queria mais viver. Enquanto ela se lembrava, ela lutava com emoções tão intensas que mal podiam conter os surtos em seu corpo. Gretchen foi admitida várias vezes em um hospital psiquiátrico onde foi diagnosticada como bipolar com transtorno de ansiedade grave. A medicação trouxe um ligeiro alívio, mas nunca tocou nos poderosos impulsos suicidas que viviam dentro dela. Quando adolescente, ela se machucou ao queimar-se com uma bituca ainda acesa de um cigarro. Agora, aos trinta e nove anos, Gretchen tinha tido o suficiente. Sua depressão e ansiedade, disse ela, impediram que ela se casasse e tivesse filhos. Num tom de voz surpreendentemente importante, ela me disse que estava planejando suicidar-se antes do próximo aniversário.

Ouvindo Gretchen, tive o forte senso de que deve haver um trauma significativo na história da família. Em tais casos, considero essencial prestar muita atenção às palavras que estão sendo faladas por indícios do evento traumático subjacente aos sintomas de um cliente.

Quando perguntei como ela planejava se matar, Gretchen disse que ia se vaporizar. Por mais incompreensível que possa parecer para a maioria de nós, seu plano era, literalmente, pular em um tonel de aço fundido na fábrica onde seu irmão trabalhava. “Meu corpo irá incinerar em segundos”, disse ela, olhando diretamente nos meus olhos, “mesmo antes de chegar ao fundo”.

Fiquei impressionado com a falta de emoção enquanto ela falava. Qualquer coisa que estivesse presa parecia ter sido abandonada por dentro. Ao mesmo tempo, as palavras “vaporizavam” e “incineravam” palpitaram dentro de mim. Tendo trabalhado com muitos filhos e netos cujas famílias foram afetadas pelo Holocausto, aprendi, a deixar suas palavras me levarem. Eu queria que Gretchen me contasse mais.

Perguntei se alguém em sua família era judeu ou estava envolvido no Holocausto. Gretchen começou a dizer que não, mas depois se deteve e lembrou uma história sobre sua avó. Ela nasceu em uma família judaica na Polônia, mas se converteu ao catolicismo quando veio para aos Estados Unidos em 1946 e casou-se com o avô de Gretchen. Dois anos antes, a família inteira de sua avó havia morrido nos fornos de Auschwitz. Eles tinham sido literalmente vaporizados — envoltos em vapores venenosos — e incinerados. Ninguém na família imediata de Gretchen nunca falou com sua avó sobre a guerra, nem sobre o destino de seus irmãos ou seus pais. Em vez disso, como é frequentemente o caso de trauma extremo, eles evitam o assunto por completo.

Gretchen conhecia os fatos básicos de sua história familiar, mas nunca a havia conectado isso à sua própria ansiedade e depressão. Ficou claro para mim que as palavras que ela usava e os sentimentos que ela descreveu não se originaram com ela, mas de fato se originaram com sua avó e os membros da família que perderam a vida.

Quando expliquei a conexão, Gretchen ouviu atentamente. Seus olhos se arregalaram e a cor subiu nas bochechas. Eu poderia dizer que o que eu disse estava ressoando. Pela primeira vez, Gretchen teve uma explicação para o sofrimento que fazia sentido para ela.

Para ajudá-la a aprofundar seu novo entendimento, convidei-a a imaginar em pé nos sapatos da sua avó, representada por um par de pegadas de borracha de espuma que coloquei no tapete no centro do meu escritório. Pedi-lhe que imaginasse sentir o que a avó poderia ter sentido depois de ter perdido todos os seus entes queridos. Levando-o mesmo a um passo adiante, perguntei-lhe se ela poderia literalmente ficar de pé nas pegadas como sua avó e sentir os sentimentos de sua avó em seu próprio corpo. Gretchen relatou sensações de perda e sofrimento muito fortes, solidão e isolamento. Ela também experimentou o profundo sentimento de culpa que muitos sobreviventes sentem e a sensação de permanecer vivo enquanto os entes queridos foram mortos.

Chegar a um acordo com trauma

Para processar trauma, muitas vezes é útil para os clientes ter uma experiência direta dos sentimentos e sensações que foram submersos no seu corpo. Quando Gretchen conseguiu acessar essas sensações, ela percebeu que seu desejo de se aniquilar estava profundamente entrelaçado com seus familiares perdidos. Ela também percebeu que adotara algum elemento do desejo de sua avó de morrer. Quando Gretchen absorveu esse entendimento, vendo a história da família em uma nova luz, seu corpo começou a suavizar, como se algo dentro dela tivesse sido enrolado até agora e então ela poderia relaxar.

Tal como acontece com Jesse, o reconhecimento de Gretchen de que seu trauma estava enterrado na história não pronuncia da sua família era apenas o primeiro passo em seu processo de cura. Uma compreensão intelectual por si só raramente é suficiente para uma mudança duradoura para ocorrer. Muitas vezes, a consciência precisa ser acompanhada por uma experiência visceral profundamente sentida.

Uma herança familiar inesperada

Um menino pode ter as pernas longas de seu avô e uma garota pode ter o nariz de sua mãe, mas Jesse havia herdado o medo de seu tio de nunca acordar, e Gretchen carregou a história do Holocausto da família em sua depressão. Adormecido dentro de cada um deles estavam fragmentos de traumas demais para serem resolvidos em uma geração.

Quando aqueles em nossa família experimentaram traumas insuportáveis ​​ou sofrem com imensa culpa ou sofrimento, os sentimentos podem ser esmagadores e podem escalar além do que eles podem gerenciar ou resolver. É a natureza humana; Quando a dor é muito grande, as pessoas tendem a evitá-la. No entanto, quando bloqueamos os sentimentos, inconscientemente entravamos o processo de cura necessário que pode nos levar a uma libertação natural.

Às vezes, a dor submerge até encontrar um caminho para expressão ou resolução. Essa expressão é frequentemente encontrada nas gerações que se seguem e pode ressurgir como sintomas que são difíceis de explicar. Para Jesse, o frio e o tremor implacáveis ​​não apareceram até atingir a idade que seu tio Colin estava quando congelou até a morte. Para Gretchen, a ansiedade e desespero e os impulsos suicidas de sua avó estiveram com ela durante o tempo que ela conseguiu lembrar. Esses sentimentos se tornaram uma parte de sua vida que ninguém jamais pensou em considerar que os sentimentos não se originavam com ela.

Atualmente, nossa sociedade não oferece muitas opções para ajudar pessoas como Jesse e Gretchen que carregam remanescentes de trauma familiar herdado. Normalmente, eles podem consultar um médico, psicólogo ou psiquiatra e receber medicamentos, terapia ou alguma combinação de ambos. Mas, embora essas caminhos possam trazer algum alívio, geralmente não fornecem uma solução completa.

Nem todos nós temos traumas tão dramáticos quanto os de Gretchen ou Jesse na nossa história familiar. No entanto, eventos como a morte de um bebê, uma criança dada para adoção, a perda da casa ou mesmo a falta da atenção de uma mãe ou pai podem ter o efeito de colapsar os muros de apoio e restringir o fluxo de amor em nossa família . Com a origem desses traumas à vista, os padrões familiares de longa data podem finalmente ser postos para descansar. É importante notar que nem todos os efeitos do trauma são negativos.

De acordo com Rachel Yehuda, o propósito de uma mudança epigenética é expandir o leque de maneiras de responder em situações estressantes, o que ela diz é positivo. “Quem você preferiria que estivesse em uma zona de guerra?”, Ela pergunta. “Alguém que teve adversidade prévia [e] sabe como se defender? Ou alguém que nunca teve que lutar por nada? “Uma vez que entendemos o que as mudanças biológicas do estresse e do trauma devem fazer, ela diz:” Nós podemos desenvolver uma maneira melhor de nos explicar quais são nossas verdadeiras capacidades e potenciais”.

Visto desta maneira, os traumas que herdamos ou experimentamos em primeira mão não só podem criar um legado de angústia, mas também podem forjar um legado de força e resiliência que podem ser sentidas pelas gerações vindouras.

Este artigo é um trecho do livro de Mark Wolynn, Mark Wolynn’s book, It Didn’t Start With You: How Inherited Family Trauma Shapes Who We Are and How to End the Cycle.

Texto em inglês aqui. Tradução livre por Yatahaze.

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Análise de Filmes

LISTA DE FILMES E SUAS TEMÁTICAS PSICOLÓGICAS PARA ESTUDOS – I

 

Segue abaixo um serie de indicações de filmes para você conhecer e estudar um pouco sobre o tema.

 

 

Filmes para compreender a ignorância, agressiva ou não, fanática ou não.

Evil – raízes do mal – noção de superioridade de uns machucando os “inferiores”

Amém – A participação ou negligência da Igreja Católica frente o Holocausto

O Julgamento de Nuremberg (com Alec Baldwin) – O Julgamento e tentativa de compreensão daqueles que elaboraram o Holocausto

A Matemática do Diabo – uma jovem judia negligente com relação ao holocausto entra na pele de uma parente que passou pela vida num campo de concentração

Cruzada – o sangue derramado por um pedaço de terra de relevância religiosa

Queda – os últimos dias de Hitler e alguns de seus seguidores antes do suicídio daquele

A Experiência (filme alemão) – uma pesquisa alemã sobre relação entre oprimidos e opressores

Tolerância Zero – um Judeu que se torna nazista

A Outra História Americana – um fascista que conhece o outro lado da moeda

Billy Elliot – as repressões religiosas e ignorantes

A Confissão (com Kenneth Brannagh) – o jantar em que é decidido como lidar com a “questão judaica” a qual leva ao holocausto

Lutero – as críticas de Lutero à Instituição Católica de seu tempo

A Beleza Americana – pessoas movidas de maneira alienada com relação a elas mesmas

O Planeta dos Macacos – o exercício do poder de uns sobre outros, decidido pela força das armas

 

 

Para  lidar  com  dependência  química

28 Dias – alguns importantes detalhes sobre internações para dependência química

Mera Coincidência – a responsabilidade perante a própria indisciplina frente álcool

Cristiane F. – a dura atividade de largar a dependência química

Kids – jovens fazendo uso de drogas de maneira imprudente e displicente

Ray (Charles) – história do músico, sendo uma das partes o exercício de largar a heroína

Despedida em Las Vegas – um homem que se consome através da garrafa

 

 

Aprendizagens   dolorosas,   intensas  (traumas)  ou  não  e  efeitos

A Filha Do General – a dor da traição do pai

Voltando a Viver – algumas vivências com as quais o indivíduo se tornou raivoso. Em terapia aprende a lidar com elas

Sleepers – Vingança Adormecida – história de garotos que passam por uma prisão para jovens e seus sofrimentos durante e depois

Filhas de Deus – O massacre psicológico de 3 mulheres internadas em um convento

Hypnos – múltiplos mecanismos de defesa trabalhados em hipnose devido a um acontecimento de difícil elaboração

Duas Vidas – os efeitos perturbadores de ocorrências aparentemente simples na infância

Efeito Borboleta – de como pequenas coisas, aparentemente, quando criança afetam toda uma vida

 

 

 

Para   lidar   com   separações   de   amantes

Neve Sobre os Cedros – grandes amantes enquanto jovens são obrigados a separarem-se, tendo o homem dificuldades de superar a união da então amada

O Pequeno Dicionário Amoroso – a história de um casal com início, meio e fim e novo relacionamento

Sob o Sol da Toscana – a história de uma mulher que perdeu o sentido da vida ao perder o seu amor e sua luta para retomar a graça

O Último Beijo – alguns amigos em torno dos 30 anos e suas situações com as mulheres

Os Garotos Da Minha Vida – a história de uma mulher com seu pai, amante e seu filho

Avassaladoras – mulheres lidando com as dificuldades com homens e trabalho

 

 

Relacionamentos   entre   amantes

A Dona da História – mulher de cerca de 55 anos tem oportunidade de mudar a história da sua vida ao revisitar a sua vida quando jovem

A História de Nós Dois – casal há bastante tempo junto sem vitalidade retoma o relacionamento apesar das dificuldades

O Último Beijo – relações de alguns homens e mulheres entre casamento, filho, divórcio e diferentes fases entre um e outro

As Confissões de Schmidt – homem de cerca de 65 anos reflete sobre os efeitos dos possíveis erros que poderiam ter facilitado a traição da sua mulher com o seu amigo

Anjo de Vidro – além de ciúmes, também dificuldades diversas de relacionamento

Alguém tem que Ceder – um casal de cerca de 60 anos e suas lutas

De Olhos Bem Abertos – um casal em crise por ciúmes

O Declínio do Império Americano – relacionamentos em múltiplas faces cruas

Avassaladoras – jovens mulheres de 30 anos e suas reflexões sobre homens e trabalhos

Abaixo o Amor – as alterações entre a “antiga” forma de relação homem-mulher e a “atual”

O Espelho tem Duas Faces – um homem cuja teoria sobre relacionamentos fracassarem ser sexo e de uma mulher que pensa o oposto

Relações entre Pais e Filhos

Procurando Nemo – pai superprotetor cria situações desagradáveis para seu filho e ele terá que atravessar o oceano para salvar o seu filho, que se desaponta com o pai

O Rei Leão – um pai ensinando o seu filho sobre ser homem e a morte

Eclipse Total – uma mãe que protege sua filha de forma grosseira e não percebida pela filha

 

 

 

 

Para   lidar   com   ciúmes

De Olhos Bem Fechados – casal lida com o desejo do cônjuge em relação a outra pessoa

As Pontes de Madison – mulher tem relação com outro homem enquanto o marido viaja com os filhos

 

 

 

 

Para   lidar   com   o   medo   da   morte

Amor Além da Vida – família se encontra no céu e inferno após a morte de cada um e suas lutas para permanecerem juntos

Doce Novembro – homem tem relação com mulher cujo objetivo antes de morrer é ajudar homens obcecados com os seus trabalhos

Outubro em Nova Iorque – jovem artista com doença fatal se relaciona com exn-namorado de sua mãe antes de morrer

Invasões Bárbaras – homem vai a casa em frente a um lago com seus amigos, filho e nora antes de tirar a própria vida na presença de todos por não querer mais viver com o câncer

Minha Vida – homem grava fitas de reflexões sobre a vida para o seu filho que está por nascer antes de ele morrer devido ao seu câncer

Gladiador – homem dá a própria vida por seus valores

O Rei Leão – pai prepara o filho para lidar com a morte de seu pai

Mar Adentro – mulher em alto mar e em meio aos tubarões prefere afogar-se a ser comida viva pelos peixes

Olga – mulher morre por seus ideais

As Horas – um homem e uma mulher cometem suicídio ao acharem que é a sua hora

A Paixão de Cristo – os ideais de um homem o levam à morte

 

 

 

Para   lidar   com   apatia

Chegadas e Partidas – homem que se considera quebrado se conserta também por si

Tomates Verdes e Fritos – mulher que leva vida entediante ouve histórias que a inspiram a tomar as rédeas de sua vida

Chaplin – a história de um homem que lutou e nunca desistiu

Abril Despedaçado – um jovem que vive displicentemente busca enriquecer a própria vida

 

 

Sobre   hipnose

Ecos do Além – mulher faz uso vulgar da hipnose em festa de amigos criando problemas com os quais não estava preparada. Embora os fenômenos em questão sejam fictícios, o uso banal não o é.

Hipnose – uma indução regular em inscript para tabagismo é utilizado e uma boa indução para uma garota que sofreu um trauma

Hypnos – raros mecanismos de defesa ocorrendo durante tratamento com hipnose

K-PAX – psiquiatra faz uso de hipnose a fim de descobrir o que levou uma pessoa a tentar cometer suicídio

Duas Vidas – um possível trabalho em psicoterapia com hipnose fazendo uso de hipermnésia e pseudo-orientação no futuro, embora não ocorra qualquer menção à hipnose

 

 

 

SOBRE   A   NOÇÃO   DE   REALIDADE

Matrix 1 – a realidade enquanto a utilização dos sentidos

Viagens Alucinantes – a supressão de estímulos permitindo apenas a realidade pensada

Vanilla Sky – mistura similar à de matriz, vivendo dentro de um programa de computador que permite a noção de realidade devido à manipulação dos sentidos

Pescador de Ilusões – sujeito aprensentando um quadro de alucinação positiva de ver um cavaleiro vermelho que não existe

Hypnos – uma paciente dentro de um transe não percebido enquanto tal fazendo uso de personagens da vida de formas diferentes das reais

 

 

 

Medo   e   coragem

8 Mile – cantor trava em meio à platéia e desafio

Honra e Coragem – homem evita a guerra, mas é motivado a entrar nela quando sabe que seuas amigos estão em perigo

Procurando Forrester – homem com “síndrome do pânico” até que com uma visita inusitada se permite começar a sair de casa e viver

Chegadas e Partidas – apesar de se considerar um perdido na vida, levanta-se contrapondo ao seu passado, crescendo e superando diferentes obstáculos

Batman Begins – garoto com medo de morcegos utiliza deles para provocar medo nos criminosos

O Poder de Um Jovem – um garoto órfão com bons educadores aprende a lidar com os diferentes obstáculos de um ambiente adverso

Melhor é Impossível – homem com medo tem compulsões para evitar dores, as quais aprende a lidar devido a um amor

O Resgate do Soldado Ryan – apesar do medo de uma morte eminente, soldados vão ao encontro do perigo

Tratamento de Choque – homem evita situações adversas sendo constantemente abusado por outros, até que aprende a lutar pelas suas idéias

Olga – mulher luta pelos seus ideais, atividade essa que custa sua vida

 

 

 

Nobreza,   ética   ou   não

Gladiador – um homem lutando por seus ideais vê-se expulso e negligenciado, continuando até o final

Honra e Coragem – salvar os amigos e não uma nação cujos ideais discorda

Filhos do Paraíso – um garoto enfrentará uma corrida para dar um tesouro à sua irmã

Depois da Chuva – saber pelo quê lutar é tão importante quanto saber lutar

Dersu Uzala – heremita vive de forma harmônica com a natureza, com ambição, mas sem ganância

O Poder de Um Jovem – garoto aprender a lutar pela inclusão e não exclusão

Seven – Os Sete Crimes Capitais – alguns vícios contra o bem-estar do indivíduo ou do outro são punidos através de assassinatos

Por que Choram os Homens – alguns diferentes homens abrindo mão do que lhes é mais caro para preservar os seus tesouros

Elas me Amam… mas me Odeiam – homem fala a verdade entregando a sua empresa e sendo punido, entra numa situação aparentemente imoral, pelo menos de acordo com o normal

Malcolm X – a luta pela igualdade de direitos

Tempo de Matar – homem abre mão da própria segurança para lutar pelo quê acredita

Os Filhos do Paraíso – irmão luta para dar à irmã algo “perdido” por ele, que era muito importante para ela

Coração Valente – ao vingar-se de um lorde pela morte de sua amante, guerreiro se vê lutando por liberdade ao lado de um povo

O Rei Artur – um punhado de homens de diferentes religiões lutando pelo bem de outros

A Promessa – policial promete a uma mãe cuja filha foi assassinada justiça, para tanto irá até as últimas conseqüências, nem que lhe custe a sanidade

A Chave Do Sucesso – 3 colegas de profissão travam conversas que definem as suas vidas

A Sociedade dos Poetas Mortos – ensinar a pensar

Hamlet (com Kenneth Brannagh) – filho fará justiça pelo pai morto

Henrique V (com Kenneth Brannagh) – um tipo de nobre

O Herói – o melhor assassino de uma tribo deixa sua vítima viver para que outros possam viver

O Clã das Adagas Voadoras – em prol dos conhecidos e da moral de tribos diferentes, casal luta entre si

 

 

 

Para   lidar   com   raiva

Hurricane – O Furacão – homem é injustamente preso precisando aprender a lidar com a sua raiva até sair da prisão

Voltando a Viver – garoto passa por dificuldades até tornar-se irascível, passando então por terapia

Ghandi – lidar com a raiva de forma calma

Evil – Raízes do Mal – garoto aparentemente sem volta aprende a se governar para transcender a vida de até então

Instinto – homem mata outro, descobrir e neutralizar a sua raiva é a função de um psiquiatra

 

 

 

Sobre   desejos   infinitos   e   implicações

Ponto de Mutação – relações entre as coisas

Dias de Nietzsche em Turim – breve síntese de inúmeros pensamentos do filósofo

Sociedade dos Poetas Mortos – professor ensinando seus alunos a pensar

O Sorriso de Monalisa – versão feminina do filme acima

Íris – pensadora defende reflexões sobre o pensamento

 

 

Amizade

Senhor dos Anéis – amigos se unem para ajudar outros

O Último Samurai – matar o outro por amizade!?

A Cura – garoto com HIV acha a cura para o seu espírito na amizade

O Último Beijo – na tristeza e na alegria

A Chave Do Sucesso – longas amizades, claras afinidades e grande respeito

Eclipse Total – uma amiga aceitando o pedido de “eutanásia”

Gênio Indomável – o bem do amigo antes

A Era do Gelo – ajuda mútua em benefício mais mútuo do que próprio

Diários de Motocicleta – dois amigos em busca de algo maior do que eles

 

 

 

Mestres   e   aprendizes

Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera… – aprendendo por vivências e não conceitos

Procurando Forrester – professor duro e aluno disciplinado

O Poder de Um Jovem – um bom homem não se faz sem bons preceptores

Guerra nas Estrelas III – O mau assim o é de acordo com quem?

Instinto – paciente liberta o próprio terapeuta

Adorável Professor – professor de música liberta seus alunos em detrimento de sua música

Gênio Indomável – terapeuta leva gênio a se conhecer e lidar com essa ação

 

 

 

Responsabilidade,   culpa   e  /  ou   perdão

O 5 o . Passo – passos de um homem em busca do perdão

Sobre Meninos e Lobos – quem deve ser o nosso juiz? A quem pedir absolvição?

21 Gramas – a vingança da vítima

A Chave do Sucesso – arrependimentos como parte de homens com caráter

Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera… – pagar o preço pela perda do próprio governo

Magnólia – o que é perdoável e o que não é?

Estrada da Perdição – bom ou ruim? Apenas meu pai.

As Confissões de Schmidt – a minha mulher errou comigo… eu contribuí?

Crime e Castigo – culpas que atormentam

Amnésia – ao invés de responsabilizar a si, melhor é o fazer com o outro

A Filha do General – a traição do pai como mais violenta que um estupro

Advogado do Diabo – ao tomar responsabilidade frente o próprio poder, opção por autodestruição

O Conde de Montecristo – um homem quase consumido pela vingança

Os Imperdoáveis – conviver com os próprios crimes

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Sagrado Feminino & Masculino

Descubra aqui algumas chaves para manter sua sexualidade ativa numa relação a longo prazo

Um nível profundo de compreensão e a vontade de investir recursos é fundamental para a capacidade de resposta. Um parceiro receptivo mostra compreender a sua outra metade, em vez de repudiar seus problemas ou ignorá-los. Trata-se de estar consciente e responder às necessidades emocionais da outra pessoa.

 

“Nossa pesquisa mostra que os parceiros que são sensíveis ao outro fora do quarto são capazes de manter o seu desejo sexual. Receptividade – que é um tipo de intimidade – é tão importante em um relacionamento porque sinaliza que um está realmente preocupado com o bem-estar do outro”.

 

Para a pesquisa 100 casais heterossexuais mantiveram diários ao longo de seis semanas. Eles relataram seu próprio desejo sexual e a capacidade de resposta do seu parceiro fora do quarto. Os resultados mostraram que homens e mulheres sentiram mais desejo sexual quando o parceiro era mais sensível às suas necessidades não-sexuais. As mulheres em particular responderam a níveis mais elevados de capacidade de resposta em seus parceiros com maiores níveis de desejo sexual.

 

Os autores do estudo explicam:

“As pessoas que percebem que os seus parceiros compreendem e apreciam as suas necessidades podem ver interações sexuais como uma forma de melhorar as experiências íntimas com parceiros sensíveis e, portanto, podem experimentar um maior desejo para o sexo com eles.”

 

 

Professor Birnbaum disse:

“Ser bom” e coisas desse tipo não são, necessariamente com base em quem o parceiro é e o que o parceiro realmente quer. Quando um parceiro é realmente sensível, a relação parece especial e única e ele ou ela é percebida como valorizado e desejável. O desejo sexual prospera em aumentar a intimidade, e ser sensível é uma das melhores maneiras de incutir essa sensação indescritível ao longo do tempo; melhor do que qualquer sexo pirotécnico “.

O estudo foi publicado no Journal of Personality and Social Psychology (Birnbaum et al., 2016 ).

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Comportamento

QUAL É A SUA GERAÇÃO ? – IDENTIFIQUE-SE AQUI E SAIBA UM POUCO COMO VOCÊ É.

De geração em geração, muita coisa muda: a forma de pensar e se expressar, a maneira de enxergar o mundo, os valores e as prioridades… Também são diferentes as motivações e a velocidade com que se executam as tarefas.

E no cenário atual dos negócios, todas essas gerações trabalham juntas, compartilhando o mesmo espaço, incluindo o pessoal que veio antes das  gerações XYZ. Lidar com as particularidades de cada uma delas, mantendo a equipe motivada e produtiva, é um grande desafio para as empresas e seus líderes.

Ser desafiador não significa ser impossível. Basta entender o perfil de cada geração e o que as motiva.

Nesse post, detalharemos um pouco mais sobre cada uma dessas gerações XYZ. Mas, antes, vamos voltar no tempo para entendermos sobre os dois grupos anteriores: os tradicionalistas e os Baby Boomers.

 

Tradicionalistas

  • Nascidos entre 1928 -1945.
  • Representam cerca de 3% da força ativa de trabalho.
  • Estão acostumados com valores paternalistas e hierarquia rígida.
  • São leais e colocam o trabalho como prioridade em relação à vida pessoal e familiar.
  • Adaptar-se aos avanços tecnológicos é um desafio para grande parte desse grupo.
  • São conformados e valorizam títulos de trabalho e dinheiro.

Baby Boomers

  • Nascidos entre 1946 e 1964.
  • Cresceram em uma economia na qual a tecnologia dava apenas os primeiros passos.
  • A TV era a principal mídia.
  • Fizeram suas carreiras antes dos computadores pessoais e dos celulares.
  • São sensatos e cultivam fortes valores.
  • Dedicam-se ao trabalho árduo, gostam de reconhecimento pessoal, promoção, títulos de trabalho, propriedade, estabilidade financeira e liberdade.
  • Têm paciência e são perseverantes, porém, autoritários.
  • Demasiadamente conservadores, são resistentes a mudanças.
  • Necessitam de desafios e feedback constante (elogios).
  • Preferem recompensas financeiras.

As gerações XYZ

Essas são as gerações em maior número nas empresas atualmente. Entenda o perfil de cada uma.

Geração X

  • Nasceu entre 1965 e 1980.
  • Cresceu em um ambiente familiar em que os pais trabalhavam arduamente e sacrificavam-se pela empresa. Por isso, busca o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.
  • Tem espírito empreendedor e representa mais de 50% dos fundadores de startups.
  • Tem experiência tecnológica – vivenciou o boom da tecnologia e da internet. Os computadores chegaram às casas e o surgiu o celular.
  • É talentosa e autossuficiente, busca um ambiente de trabalho maleável e informal, e com horário também flexível.
  • É orientada para resultados e muito responsável, porém, valoriza imensamente a liberdade, com pouca supervisão.
  • Valoriza também o reconhecimento, a mobilidade, segurança e amigos.
  • Tem capacidade de exercer multitarefas e pensa de maneira global. Mas falta compromisso e atenção aos detalhes.
  • Dá crédito especial para o crescimento profissionalmente.
  • Para essa geração, a promoção deve ser por competência.
  • É cínica, impaciente, questionadora e desconfia muito.
  • Tem medo de perder o emprego para os novatos.
  • Usa a web e multimídia como principais instrumentos para aquisição de conhecimento.
  • As melhores formas de comunicação para essa geração são o e-mail e celular, com  mensagens de texto ou mensagens instantâneas.
  • É adaptável e pro-ativo socialmente e politicamente.

Geração Y

  • Nasceu entre 1981 e 2000 – também chamada de Geração Millenium.
  • Tem conhecimento tecnológico.
  • Computadores, internet de alta velocidade, redes e conexão eletrônica a todo instante, celulares à mão e as redes sociais têm peso importante.
  • Tem capacidade de fazer um monte de coisas ao mesmo tempo, sem prejudicar o trabalho.
  • Prefere horários flexíveis.
  • Quer velocidade e emoções.
  • Valoriza a criatividade, simplicidade, equilíbrio, a verdade, diversão e amigos.
  • Espera ser ouvida, quando tem uma opinião, mas é impaciente, impulsiva e sem foco.
  • Espera altas recompensas quando realiza um projeto com sucesso.
  • Não tem dificuldade de migrar de uma empresa para outra – desde que as recompensas sejam mais atrativas.
  • A ligação emocional com o que faz vale mais do que o dinheiro.
  • Deseja novas experiências, sempre. Isso leva a promoções contínuas e ascensão rápida.
  • Geralmente é próxima aos pais e se preocupa com questões sociais e globais. Quer ter a chance de colaborar com o outro.
  • Facilidade de se relacionar com diversas culturas.
  • Demanda feedback imediato.

Geração Z

  • Nascida nos meados dos anos 90 – está entrando agora no mercado de trabalho.
  • Totalmente conectada à internet.
  • Valores familiares pesam menos que contatos virtuais.
  • É motivada por recompensas sociais, aconselhamentos de especialistas, feedback constante e as oportunidades de crescimento pessoal.
  • Valoriza a estrutura, direcionamentos claros e transparência.
  • Quer ser útil e ter responsabilidade.
  • É imediatista.
  • Paciência não faz parte do vocabulário dessa geração, quando precisam ajudar os mais velhos com assuntos relacionados à tecnologia.
  • Mais da metade dessa geração prefere a comunicação direta – face a face.
  • Comportamento individualista e excêntrico.
  • Também valoriza flexibilidade nos horários.

Todos juntos

Mas a realidade é que está tudo junto e misturado, inclusive no local de trabalho. É possível ter as gerações XYZ, e as antecedentes também, numa mesma equipe, sob a supervisão de um único líder.

Nesses casos, tão importante quanto o líder conhecer os perfis de cada integrante da equipe, é o respeito mútuo entre as pessoas das gerações XYZ e as demais. É imprescindível entender e aceitar as individualidades.

A geração Z, por exemplo, pode ser uma geradora de conflitos, em função da dificuldade de trabalhar em equipe – uma habilidade muito valorizada nas empresas atuais.

As lideranças exercem papel fundamental para manter esse caldeirão aquecido e motivado. Devem saber usar com maestria a capacidade e os talentos de cada um e garantir que essa “mistura” seja consistente.

Todas as gerações XYZ e as anteriores devem se sentir valorizadas e encontrarem o seus propósitos no trabalho, a ponto de se envolverem e se comprometerem com as metas da empresa.

Portanto, não importa onde cada um se encaixa entre as gerações XYZ. Todos precisam reconhecer o seu valor individual na empresa e trabalhar alinhado com a cultura organizacional.

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Formação Profissional

COLEÇÃO LIVROS EM PSICANÁLISE – I

No dia 06 de maio de 1856 nascia aquele que mudaria para sempre o modo como a mente humana seria tratada: Sigismund Schlomo Freud, mais conhecido como Sigmund Freud, o fundador da Psicanálise. Seu método de terapia começou a ser testado com o uso da hipnose para tratamento de pacientes com histeria. Logo ele percebeu que poderia ter acesso às memórias e trabalhar com o inconsciente das pessoas.

Suas teorias e seu tratamento com os pacientes são controversos desde Viena, Áustria, no século XIX, até os dias atuais. As ideias elaboradas por ele são, frequentemente, discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.

 

Esboço de psicanálise, de Sigmund Freud

Nesta obra encontra-se a densidade de quatro décadas do trabalho de Sigmund Freud, editada com agilidade que transmite as ideias essenciais do psicanalista. Um texto em que Freud sedimenta as teorias sobre o desenvolvimento libidinal do aparelho psíquico, além de explorar a coordenação dos elementos cruciais de sua segunda topologia do aparelho psíquico, como as exigências pulsionais do id, os métodos de satisfação do ego e a gestão do superego.

 

 

A interpretação dos sonhos, de Sigmund Freud

Aqui Sigmund Freud aborda os processos inconscientes, pré-conscientes e conscientes envolvidos nos sonhos, incluindo sonhar, recordar e relatar o sonho. O livro desenvolve um método para conseguir acesso ao sonho, tomando elementos de suas experiências prévias com as técnicas de hipnose e com o tratamento da histeria através da técnica de associação livre.

 

  • O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud

A obra analisa investiga as origens da infelicidade, além do conflito entre indivíduo e sociedade e suas diferentes configurações na vida civilizada. O livro proporciona um mergulho na teoria freudiana da cultura, segundo a qual civilização e sexualidade coexistem de modo sempre conflituoso.

 

 

  • Freud básico, de Michael Kahn

Michael Kahn explora os principais eixos da teoria psicanalítica de Sigmund Freud. Usando conceitos-chave, como o complexo de Édipo, a compulsão à repetição, culpa, ansiedade e mecanismos de defesa, Kahn demonstra a importância de Freud em nossa vida cotidiana.

 

 

  • As ideias de Freud, de Richard Wollheim

Esta síntese das principais ideias de Freud são apresentadas em oito capítulos: A primeira fase; A teoria da mente; Sonhos, erros, sintomas e chistes; Sexualidade; A neurose: sua natureza, causa e cura; O inconsciente e o ego; A última fase; Civilização e sociedade.

 

 

  • Freud e a cocaína, de David Cohen

Um documento raro e impactante que narra e comenta os anos iniciais da pesquisa de Freud e sua curiosa relação com a cocaína. Este audacioso estudo chega a conclusões surpreendentes, como admitir que o consumo da droga foi essencial para que Freud tivesse a autoconfiança necessária para mergulhar em suas teorias mais inovadoras e escrever A interpretação dos sonhos.

 

Fundamentos da Psicanalise de Freud A Lacan 1

Introdução didática que esclarece, à luz de Freud e Lacan, os conceitos mais importantes da teoria psicanalítica, entre os quais: pulsão, recalque, sintoma, real-simbólico-imaginário, objeto a e sublimação.
Ao desenvolver amplamente os dois eixos principais da psicanálise (sexualidade e linguagem), o autor enfatiza o abandono do funcionamento instintual – produzido pela aquisição da postura ereta, a bipedia – e o consequente advento da pulsão como fatores essenciais e fundadores da espécie humana.

 

 

Supereu (Editora Almedina)

A autora Priscilla Roth apresenta o “superego” referenciado nas obras de Freud para o esclarecimento de questões de conflito da psique humana que podem desencadear quadros de estresse e depressão.

Priscilla ressalta as considerações de Freud a respeito do ego, que aqui será interpretado como um produto parental, além de explicar sobre as manifestações do conceito de Édipo e demais teorias da psicanálise.

 

 

Psicanálise com crianças: perspectivas teórico-clínicas

O livro foi escrito por vários psicanalistas e fala sobre como a psicanálise é importante também para o tratamento de crianças e adolescentes que estejam passando por algum distúrbio ou frustração ao serem analisados seus sentimentos e comportamentos.

Os autores são também professores em cursos de especialização em psicanálise da criança pelo Instituto Sedes Sapientiae (São Paulo) e a obra serve como referência ao trabalho clínico da psicanálise na fase infantil e também na adolescência.

 

 

 

Amanhã, psicanálise! O trabalho de colocar o tratamento no paciente

Amanhã, psicanálise! O trabalho de colocar o tratamento no paciente

O autor levanta uma interrogação: como os analistas recebem cada novo consultante? Propõe observar, atentamente, esse cenário das entrevistas iniciais como um possível veículo para sair da crise que acomete a psicanálise.

 

Vocabulário da psicanálise

“Na medida em que a psicanálise renovou a compreensão da maioria dos fenômenos psicológicos e psicopatológicos, mesmo a do homem em geral, seria possível, num manual alfabético que se propusesse abarcar o conjunto das atribuições psicanalíticas, tratar no apenas da libido e da transferência, mas do amor e do sonho, da delinquência ou do surrealismo. A nossa intenção foi completamente diferente: preferimos deliberadamente analisar o aparelho nocional da psicanálise, isto é, o conjunto dos conceitos por ela progressivamente elaborados para traduzir as suas descobertas. Este Vocabulário visa, não a tudo o que a psicanálise pretende explicar, mas antes àquilo de que ela se serve para explicar”.

Laplanche e Pontalis

O brincar e a realidade – Donald Winnicott

Um pediatra e psicanalista inglês que subverte a noção de espaço, acabando com a dicotomia interno e externo, e que coloca o paradoxo no centro da experiência subjetiva e da cultura. Os processos mais elaborados da subjetividade humana têm sua origem na experiência num espaço que não é nem dentro nem fora, transicional, potencial.

 

 

Estudos sobre a histeria

Estudos sobre a histeria, ou Studien über Hysterie , foi co-autoria de Freud e seu colega Josef Breuer. O livro descreve o seu trabalho e estudo de um número de indivíduos que sofriam de histeria, incluindo um dos seus casos mais famosos, uma jovem conhecida como Anna O. O livro também introduziu o uso de psicanálise como um tratamento para a doença mental.

 

 

Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901)

Sobre a psicopatologia da vida cotidiana, ou Zur Psychopathologie des Alltagslebens, é considerado um dos principais textos que descreve a teoria psicanalítica de Freud. O livro dá um olhar mais atento a uma série de desvios que ocorrem durante a vida cotidiana, incluindo esquecer nomes, lapsos de linguagem (aka lapsos freudianos) e erros na fala e memórias escondidas. Ele então analisa a psicopatologia subjacente que ele acreditava que levava a tais erros.

 

 

 

Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905)

Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, ou Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie , é considerada uma das obras mais importantes de Freud. Nestes ensaios, ele descreve sua teoria do desenvolvimento psicossexual e introduz outros conceitos importantes, incluindo o complexo de Édipoinveja do pênis, e ansiedade de castração.

 

 

 

Os chistes e sua relação com o inconsciente (1905)

Em Os chistes e sua relação com o inconsciente, ou Der Witz und seine Beziehung zum Unbewußten , Freud observou como piadas, muito parecidas com os sonhos, poderiam estar relacionadas com desejos ou memórias inconscientes. Teoria do humor de Freud é baseada em sua teoria do id, ego e superego. De acordo com Freud, o superego é o que permite que ao ego gerar e expressar humor.

 

 

Totem e Tabu (1913)

Totem e tabu: Alguns Pontos de Concordância entre a Vida Mental dos Selvagens e dos Neuróticos, ou Totem und Tabu: Einige Übereinstimmungen im Seelenleben der Wilden und der Neurotiker , é uma coleção de quatro ensaios que aplicam a psicanálise a outros campos, incluindo a religião , antropologia e arqueologia.

 

 

Sobre o narcisismo (1914)

Em Sobre o narcisismo, ou Zur Einführung des Narzißmus , Freud descreve sua teoria do narcisismo. No livro, ele sugere que o narcisismo é na verdade uma parte normal da psique humana. Ele se referiu a esse narcisismo como primário ou a energia que que está por trás instintos de sobrevivência de cada pessoa.

 

 

 

Conferências introdutórias à psicanálise (1917)

Como um dos livros mais famosos de Freud, Introdução à Psicanálise (ou Vorlesungen zur Einführung in die Psychoanalyse), Freud descreve sua teoria da psicanálise , incluindo a mente inconsciente, a teoria das neuroses e sonhos. O prefácio, escrito por G. Stanley Hall , explica: “Estas vinte e oito palestras para leigos são elementares e quase coloquiais. Freud apresenta com uma franqueza quase assustadora as dificuldades e limitações da psicanálise, e também descreve os seus principais métodos e resultados apenas como um mestre e criador de uma nova escola de pensamento pode fazer. ”

 

 

 

Além do Princípio do Prazer (1920)

Em Além do Princípio do Prazer , publicado originalmente em alemão como Jenseits des Lustprinzips , Freud explorou sua teoria dos instintos em maior profundidade. Anteriormente, a obra de Freud identificou a libido como a força por trás das ações humanas. Neste livro, ele desenvolveu a teoria dos instintos de vida e morte.

 

 

 

O futuro de uma ilusão (1927)

Em O Futuro de uma Ilusão , originalmente publicado como Die Zukunft einer Illusion, Freud explora a religião através de uma lente psicanalítica. Ele descreve suas próprias ideias sobre as origens e o desenvolvimento da religião, e sugere que a religião é uma ilusão composta de “… certos dogmas, afirmações sobre fatos e condições da realidade externa e interna que contam um algo que não tem-se descoberto e que afirmam que se deve dar-lhes credibilidade. ”

 

 

 

Moisés e o monoteísmo (1939)

Em Moisés eo Monoteísmo, publicado pela primeira vez em 1937 como Der Mann Moses und die monotheistische Religion, Freud utiliza sua teoria psicanalítica para desenvolver hipóteses sobre eventos do passado. Neste livro, ele sugere que Moisés não era judeu, mas em vez disso foi um monoteísta egípcio antigo. Esta foi a última obra de Freud e, talvez, um dos seus mais controversos livros.

 

 

 

Dicionário de psicanálise

Elisabeth Roudinesco, Michel Plon

 

Esse dicionário faz um recenseamento e uma classificação de todos os elementos da psicanálise. Apresenta os caminhos pelos quais esta construiu, ao longo do último século, um saber singular, contendo em seus cerca de 800 verbetes.

Inclui também: bibliografias detalhadas após cada verbete, trazendo as edições publicadas no Brasil; conceitos psicanalíticos com versões em cinco línguas; extenso índice onomástico; cronologia com os fatos marcantes da psicanálise.

 

 

 

Dicionário de Psicanálise

Roland Chemama

Mais de cinqüenta autores são responsáveis pelos 319 verbetes que compõem esta obra traduzida da terceira edição francesa. Trata-se de uma obra que enfatiza tanto os conceitos inaugurais freudianos quanto as contribuições de Lacan, em sua proposta de retorno a Freud e à especificidade da clínica psicanalítica. Seus verbetes não se constituem termos objetivados e estáticos, mas significantes que operam diferentes registros.

Dicionario Internacional da Psicanalise 2 Volumes – Alain De Mijolla

Este dicionário de psicanálise aborda cerca de 900 noções freudianas e pós-freudianas, apresentando-as em verbetes dedicados às biografias dos principais psicanalistas do mundo, às suas obras mais relevantes, aos acontecimentos que marcaram a história do movimento psicanalítico nos diferentes países onde se implantou, às principais instituições que ilustraram o seu desenvolvimento e às contribuições de grupos que, em dado momento, estiveram ligados a ele, como os junguianos e os adlerianos, por exemplo.

No total, são apresentados 1572 artigos redigidos por 400 autores diferentes. Os artigos são organizados por ordem alfabética e acompanhados de uma breve bibliografia que se encontra completa no final do segundo volume. Um glossário propõe, em cinco línguas, a tradução dos principais termos estudados.

No final de cada artigo, é sugerida a consulta de outros verbetes que contêm informações complementares, permitindo assim uma pesquisa ordenada ou somente associativa, segundo as necessidades.

 

 

 

DICIONARIO PSICANALÍTICO DOS SONHOS – JOSE BOSCO

Os sonhos intrigam o homem há séculos e, mesmo com os avanços nos estudos relacionados a eles, ainda existem várias questões sem respostas ou conflitantes. Um dos métodos que nos aproxima de uma resposta capaz de fazer a pessoa compreender a si mesma, e que também preenche certas lacunas ainda não esclarecidas pelos cientistas, é a análise dos sonhos por meio dos símbolos. Eles têm uma multiplicidade de significados, por isso devem ser observados dentro de um contexto, levando em consideração aspectos da subjetividade. Diversas culturas, tanto as antigas quanto as atuais, interpretam os sonhos como inspirações, sinais divinatórios, fantasias sexuais, ou ainda como uma manifestação dos medos, dada a sua natureza intrigante e enigmática. A fim de ajudar o leitor a compreender melhor essas informações produzidas em seu inconsciente, ‘Dicionário Psicanalítico dos Sonhos’ apresenta o significado de mais de 1.400 imagens oníricas, as quais o autor buscou em seus estudos científicos em psicanálise, desmistificando a falsa idéia mágica dos sonhos. O texto utiliza-se de uma linguagem clara e objetiva, apropriada a todos os interessados em desvendar os mistérios criados pela nossa mente.

A Psicanálise dos Contos de Fadas

Em “A Psicanálise dos Contos de Fadas”, Bruno Bettelheim faz uma radiografia das mais famosas histórias para crianças, arrancando-lhes seu verdadeiro significado. O autor mostra as razões, as motivações psicológicas, os significados emocionais, a função de divertimento, a linguagem simbólica do inconsciente que estão subjacentes nos contos infantis.

 

 

 

 

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Livros para compreender melhor a mente humana

Para nos ajudar a compreender um pouco melhor os mistérios da mente humana, diversos psicanalistas, psicólogos, psiquiatras, neurocientistas e outros pesquisadores dedicam anos de estudo para tentar entender o funcionamento das “camadas” que formam a nossa mente!

 

1. Rápido e Devagar: duas formas de pensar (Daniel Kahneman)

 

Este livro é para você que sempre se questiona: “Oh meu Deus, porque eu fiz isso?!”.

Daniel Kahneman, Nobel de Economia, apresenta de modo claro as características e consequências das duas formas mais comuns do ser humano pensar: rápido (de modo intuitivo e emocional) e devagar (de maneira mais lógica).

Durante as explicações de seus estudos, percebemos como não devemos confiar plenamente em nosso próprio cérebro, pois nele estão muitos pensamentos errôneos ou incompletos que nos podem levar a tomar medidas precipitadas e equivocadas.

Há uma limitação desconcertante de nossa mente: nossa confiança excessiva no que acreditamos saber, e nossa aparente incapacidade de admitir a verdadeira extensão da nossa ignorância e a incerteza do mundo em que vivemos.

 

2. Em Busca de Sentido (Viktor E. Frankl)

 

Qual o sentido da vida? Esta deve ser uma das perguntas mais complexas da história da Humanidade! Mas algumas pessoas, como o autor desta obra, foram capazes de decifrar este enigma… mesmo que no pior dos cenários.

Viktor Frankl (1905 – 1997) talvez seja o ser humano mais resiliente da história! Após ter que enfrentar o horror de QUATRO campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, o criador da Logoterapia conseguiu superar todas as adversidades e seguir com sua vida.

E você consegue descobrir como ele conseguiu fazer isso? Sim, entendendo o sentido da sua vida! Nesta obra, além de acompanhar os relatos pessoais deste médico psiquiatra austríaco durante o tempo em que esteve preso nos campos nazistas, também aprendemos os conceitos básico da Logoterapia. Não sabe o que é? Relaxa, Frankl explica tudo!

 

 

3. O Animal Social (Elliot Aronson)

 

Este é um estudo de referência sobre as relações sociais contemporâneas, uma obra essencial para quem tem interesse em psicologia social, mas não está muito por dentro do assunto.

Nesta obra, a partir de diversas experiências aplicadas por Eliot e sua equipe, temos algumas explicações para “justificar” a existência de pensamentos que são motivos para problemas sociais recorrentes, como o preconceito e a alienação, por exemplo.

Além disso, O Animal Social também nos ajuda a entender alguns dos mecanismos que se encontram “escondidos” por trás das relações interpessoais. É simplesmente imperdível para quem busca uma compreensão mais ampla da mente humana numa sociedade.

 

 

4. Incógnito: As vidas secretas do cérebro (David Eagleman)

David Eagleman te dá uma pá e convida a cavar as mais profundas camadas do cérebro humano!

Nesta obra, apresentando exemplos ligados ao cotidiano, Eagleman mostra como nem sempre o nosso cérebro (consciente) está no comando das coisas.

Incógnito: as vidas secretas do cérebro foi eleito bestseller pelo The New York Times e entre os mais recomendados pelo Wall Street Journal. Para quem tem curiosidade sobre os mistérios do subconsciente humano e suas contradições, este livro é mais do que recomendado!

 

5. Inteligência emocional (Daniel Goleman)

A inteligência emocional é um assunto que já debatemos aqui no Pensador. Mas, se você quer se aprofundar no assunto, a obra de Daniel Goleman é a mais indicada para quem deseja entender melhor esta nova visão sobre a inteligência humana.

Em suma, a inteligência emocional é a capacidade de “controlar” os seus impulsos emocionais, ter a consciência de seus sentimentos, sentir empatia e aplicar outras habilidades sociais.

Para Goleman, ter um QI alto não é certeza de sucesso na vida, como ele mostra em diversos exemplos. O autor ainda ensina como fortalecer a inteligência emocional que existe em todos nós.

Emoções fora de controle fazem das pessoas espertas, estúpidas.

Daniel Goleman

 

 

6. Seus Pontos Fracos (Wayne Dyer)

Este bestseller foi publicado inicialmente em 1976, mas continua tão atual e importante como nunca.

Dyer nos guia através da complexidade da mente humana e dá direções de como podemos ultrapassar os piores aspectos da nossa personalidade (ansiedade, procrastinação, ciúme, medo, dependência e etc), sempre com argumentações inteligentes e sensatas.

 

 

7. Amar ou Depender? (Walter Riso)

Quando o amor se transforma na fonte do seu sofrimento, então alguma coisa de muito séria está acontecendo, não acha? A dependência afetiva e o amor são coisas totalmente distintas, e Riso nos mostra como as consequências deste “vício” podem ser devastadoras!

Riso é especialista em terapia cognitiva e, além de explicar de forma simples e clara adiferença entre amar e depender emocionalmente de alguém, neste livro ainda somos desafiados pelo psiquiatra com uma série de propostas de exercícios para identificar e acabar com uma provável relação doentia.

Amar ou Depender? é ideal para nos ajudar a perceber que podemos (e devemos) amar ao próximo sem prejudicar o nosso amor-próprio!

 

 

8. Bipolar: Memórias de Extremos (Terri Cheney)

Sentindo na pele as consequências do transtorno bipolar, a autora desta obra transcreve todas as suas experiências relacionadas com esta doença, narrando as consequências que acarreta tanto para si como para os que a cercam.

No livro de Terri Cheney ainda acompanhamos os momentos mais extremos de sua vida, entre eles diversas tentativas de suicídio, noites na prisão, exploração sexual e tratamentos de eletrochoque.

Em Bipolar: Memórias de Extremos conseguimos desvendar a percepção daqueles que sofrem com este transtorno maníaco-depressivo que atinge mais de 2 milhões de pessoas no Brasil.

 

9. 1984, de George Orwell

Um clássico distópico de 1949, mas que se torna cada vez mais atual com o passar dos anos! Esta deveria ser uma leitura obrigatória para todos os seres humanos!

Após ler 1984 você irá perceber que conceitos aparentemente surreais como a “Novilíngua” ou a existência de um “Grande Irmão”, na verdade (e assustadoramente) existem no mundo contemporâneo!

Para quem não sabe, a “Novilíngua” é uma ideia proposta no livro como um idioma criado pelo Governo para eliminar o maior número possível de palavras. Desta forma, a população fica privada de termos para construir argumentos contra o próprio governo. Bizarro, não?

Depois de 1984 seus olhos estarão muito mais atentos a vigilância do “Grande Irmão”.

 

 

10. A Arte da Guerra, de Sun Tzu

Este livro foi escrito por volta do século IV a.C, mas continua a ser muito contemporâneo e você já vai entender o motivo!

Sun Tzu foi um famoso estrategista militar e nesta obra o autor desenvolve 13 temas centrais para combater seus inimigos e vencer uma guerra.

Atualmente, todas as dicas e estratégias de Sun Tzu foram adaptadas para o mundo moderno, nas mais diversas áreas, com destaque para os setores de marketing, administração, empreendedorismo e economia.

Aliás, muitos empresários e profissionais de sucesso garantem que o “A Arte da Guerra” serviu como um “divisor de águas” em suas carreiras e até mesmo no modo como lidar com a própria vida!

 

 

 

11  A Psicologia da Espiritualidade – o Estudo do Equilíbrio Entre Mente e Espírito

A espiritualidade é a unificação dos opostos. Para que você possa evoluir espiritualmente, é necessário abandonar o ego cotidiano onde estão os sentimentos de posse, dor e perda e rumar em direção ao ego verdadeiro, adotando uma perspectiva mais ampla, que vai além das crenças impostas. Esse é o caminho para a paz interior e o bem-estar.
Neste livro, o dr. Culliford define o que é a espiritualidade, aborda os estágios do desenvolvimento espiritual, sua relação com a psicologia e sua influência na saúde mental. A cada capítulo, você encontrará casos e exercícios para induzir a reflexão. O autor analisa os estudos de Jung e Fowler e dá conselhos práticos para que você explore e desenvolva a espiritualidade através da meditação.
A Psicologia da Espiritualidade é tão completo que acabou se tornando uma poderosa fonte de direcionamento para aqueles que desejam atingir sua maturidade espiritual.

 

 

12. Truques da mente: O que a mágica revela sobre o nosso cérebro

A questão principal que este livro aborda é mais sobre como somos influenciados, com o autor tendo um olhar muito específico sobre os truques de magia e alguns estudos relacionados a neurociência.

Este livro, portanto, se lê como “A Psicologia da Magia”, e se isso soa interessante para você, essa é uma leitura obrigatória.

Quanto à praticidade, eu diria que este livro é outro daqueles livros que é sobre a compreensão, e através deste entendimento existem algumas aplicações práticas. Tudo isso dito, para mim é muito interessante, e é um dos livros mais incomuns nesta lista.

 

 

13. Incógnito – As Vidas Secretas do Cérebro

Este livro é sobre os níveis de consciência no cérebro, e como vimos, seu cérebro não é apenas a coisa que você acha que você controla. Enquanto os exemplos neste livro são bastante interessantes, considerando que é um livro “real” de neurociência, eu esperava um pouco mais da pesquisa. Apesar disso, Eagleman montou uma lista de estudos seriamente fascinantes.

A escrita é cativante, e no mínimo, você aprenderá como escrever manchetes que agarram a atenção como Eagleman faz página após a página.

 

14. O poder do hábito

Este livro veio altamente recomendado, e eu gostei, mas eu tenho alguns pensamentos. Enquanto o autor faz um ótimo trabalho de dividir os hábitos em subgrupos apropriados, e ao mostrar como os hábitos realmente operam no cérebro, há uma lacuna: o livro não mostra especificamente como mudar os hábitos. Talvez as minhas expectativas foram definidas para um tipo diferente de livro, mas eu achei a falta deste aspecto a ser abordado como um pouco de “incompletude”.

O livro ainda é uma leitura muito fácil e um grande olhar sobre como os hábitos se manifestam no cérebro.