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Psicanálise

Caso Anna Freud – Mecanismos de Defesa

Tomarei como exemplo o caso de uma jovem mulher, empregada em uma instituição para crianças. Era filha intermediária de uma série de irmãos e irmãs. Durante toda a sua infância, sofreu veementemente inveja (do pênis), relacionada com seus dois irmãos (um mais velho e um mais novo), e de ciúme, o qual era repetidamente excitado pelos sucessivos períodos de gravidez da mãe. Finalmente, a inveja e o ciúme combinaram-se em uma feroz hostilidade contra a mãe. Mas, como a fixação de amor da criança era maior do que seu ódio, um violento conflito defensivo com os seus impulsos negativos sucedeu a um período inicial de desenfreada indisciplina e agressividade infantil. Temia que a manifestação de seu ódio lhe fizesse perder o amor materno, do qual não suportava ser privada. Também temia que a mãe a punisse e se criticava, da maneira mais severa, por suas ânsias proibidas de vingança. Ao ingressar no período de latência, essa situação de angústia e o conflito de consciência tornaram-se cada vez mais agudos e o seu ego tentou dominar tais impulsos de várias maneiras. Com vontade de resolver o problema da ambivalência, ela deixou aflorar um lado de seus sentimentos ambivalentes. A mãe continuou sendo um objeto de amor, mas, a partir daí, houve sempre na vida dessa paciente uma segunda pessoa importante do sexo feminino, a quem odiava violentamente. Isso facilitou a questão: seu ódio do objeto mais remoto não a atacava com um sentimento de culpa tão implacável quanto o que se manifestava, no caso da mãe.
Mas, apesar disso, o ódio deslocado era ainda uma fonte de grande sofrimento. Com o decorrer do tempo, apurou-se que esse primeiro deslocamento era inadequado como meio para dominar a situação.
O ego da menina recorreu então a um segundo mecanismo. Inverteu o ódio para dentro dela própria, quando até aí se relacionara exclusivamente com outras pessoas. A criança torturava-se com auto-acusações e sentimentos de inferioridade. Durante toda a infância e adolescência, até atingir a idade adulta, fez sempre tudo o que podia para colocar-se em desvantagem e lesar seus próprios interesses, abdicando de seus desejos e submetendo-se às exigências que lhe eram impostas por outras pessoas. Em toda a sua aparência externa, tornara-se masoquista, uma vez que adotava esse método de defesa.
Também essa medida provou ser inadequada, como recurso para dominar a situação. A paciente entregou-se então a um processo de projeção. O ódio que sentira pelos objetos femininos de amor ou seus substitutos transformou- se na convicção de que ela própria era odiada, menosprezada ou perseguida por aqueles. 0 seu ego, assim, encontrou alívio em relação ao sentimento de culpa. A criança traquina e rebelde, que alimentava sentimentos hostis contra as pessoas à sua volta, sofreu a metamorfose, convertendo-se em vítima de crueldade, negligência e perseguição. Mas o uso desse mecanismo deixou em seu caráter um permanente cunho paranóide, que constituiu uma fonte de enormes dificuldades para a moça, tanto na juventude como na fase adulta.
A paciente já era muito crescida quando veio a ser analisada. Não era considerada doente por aqueles que a conheciam, mas seus sofrimentos eram agudos. Apesar de toda a energia que o ego prodigalizara em sua própria defesa, ela não conseguira, realmente, dominar sua angústia e seu sentimento de culpa. Em qualquer ocasião que sua inveja, seu ciúme ou ódio estivessem em perigo de ativação, ela recorria invariavelmente a todos os seus organismos de
defesa. Mas os seus conflitos emocionais nunca chegaram a um ponto em que o seu ego pudesse ficar em repouso. Além disso, o resultado final de todos os seus esforços foi extremamente escasso. Conseguiu manter a fantasia de que amava a mãe, mas sentia-se repleta de ódio. Assim, desprezava-se e desconfiava de si própria. Não conseguiu preservar o sentimento de ser amada, que fora pelo mecanismo de projeção. Nem conseguiu escapar das punições de que tivera tanto medo na infância. Ao introjetar os impulsos agressivos, infligiu a si própria todo o sofrimento que anteriormente previra, sob a forma de castigos impostos pela mãe. Os três mecanismos que a paciente utilizou não puderam impedir o ego de permanecer em um estado de tensão e vigilância inquieto, nem o aliviaram das exageradas imposições que lhe eram feitas e dos sentimentos de tortura e aflição agudas que o flagelavam.

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Comportamento

MÃE DE MENINO

“Toda mãe já chorou baixinho no escuro. Dormiu com o cabelo sujo ou sem escovar os dentes. Já se perguntou quando teria sua antiga vida de volta.
Bebeu seu café frio mesmo depois de requentado. Já foi ao banheiro com platéia. Saiu do chuveiro molhada às pressas porque escutou o bebê chorar. Já deixou cair o celular na cabeça do rebento.
Comeu chocolate escondida. Já passou mais tempo cheirando a vômito do que achou que suportaria. Pensou que iria morrer de cansaço. Já gargalhou sozinha impressionada com os puns e arrotos que um ser tão diminuto é capaz de soltar.
Ficou orgulhosa com as proezas que realizou com um bebê pendurado no peito. Já perdeu a paciência e gritou. Depois ficou se sentindo a pior mãe do mundo. Já desejou não ter sido mãe.

Toda mãe já se levantou no meio da noite para checar se o bebê estava respirando. Se emocionou com o primeiro sorriso, a primeira palavra, o primeiro carinho retribuído voluntariamente. Já meteu o dedo no cocô porque queria ter certeza de que a fralda estava suja, pra não arriscar acordar o pequeno à toa. Melou a roupa do bebê de molho de tomate por ter que almoçar com ele no colo. Já fez vista grossa pras teias de aranha no teto. Escondeu sujeira debaixo do tapete antes da visita chegar. Já pediu perdão mentalmente a todas as mães que julgou antes de ser mãe. Enxugou as lágrimas vendo fotos do filho recém nascido, comprovando o velho jargão materno de que o tempo passa rápido demais. Já olhou com ternura pra cria dormindo tranquila em seus braços e se sentiu plena de ser mãe.

Todas as circunstâncias que vivenciamos, as emoções tão conflitantes que sentimos, os êxitos e fracassos diários, longe de determinarem se somos uma mãe boa ou ruim, são apenas pequenas e grandes provas ou presentes que recebemos ao longo da nossa jornada e que nos ajudam no eterno processo de nos tornarmos as melhores mães que podemos chegar a ser.’

Texto de Gabrielle Costa de Gimenez @gabicbs
📸@elliana_allon

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Sabedoria Ancestral

RELÓGIO CÓSMICO

A medicina chinesa, se estudada, provavelmente não parará nunca de te surpreender. São tantos detalhes e tantas descobertas referentes ao corpo humano que são capazes de nos deixar perplexos e até nos fazer perguntar como nunca tínhamos pensado nisso. Pois bem, a sabedoria milenar também usa um relógio cósmico para explicar o funcionamento do nosso corpo e, principalmente, para cuidar dele de uma melhor forma.

O relógio cósmico, segundo a medicina chinesa, basicamente significa a indicação de que a cada hora do dia uma parte do nosso corpo estará em plena atividade energética. Obviamente, temos um ciclo de energia percorrendo todo o nosso corpo durante o dia, mas em determinados períodos esta energia se expande de forma significativa em determinadas áreas. Seguindo este relógio cósmico, a medicina sabe como aplicar da melhor forma e em melhores horários práticas como a acupuntura, massagens e até mesmo ter indícios de que determinado órgão não funciona como deveria – se a reclamação do paciente for de dor ou indisposição sempre na mesma hora do dia.

A energia inicia seu ciclo de concentração no Meridiano do Pulmão e segue a seguinte ordem: Meridiano do Intestino Grosso, Estômago, Baço-Pâncreas, Coração, Intestino Delgado, Bexiga, Rins, Circulação-Sexualidade, Triplo Aquecedor, Vesícula Biliar e termina no Fígado. Em seguida, o ciclo se reinicia, dia após dia.

Se seguirmos a ideia do relógio cósmico teremos uma vida com mais saúde e um corpo em pleno funcionamento. Saiba abaixo em qual horário cada meridiano recebe sua carga energética concentrada e quais as principais indicações para o período.

3h às 5h – Pulmão
É o primeiro órgão a acordar, pois é o responsável por levar a energia para todo o corpo. Também direciona o sangue e, principalmente, o oxigênio. Por conta disso, é o melhor horário indicado para a meditação, prática baseada na respiração.

5h às 7h – Intestino Grosso
O horário em que a maioria das pessoas acorda para iniciar o dia é também o mais indicado para esvaziar o intestino, já que concentrando energia ele está com sua potência máxima para expelir tudo aquilo que não é necessário para nosso organismo. Se seu intestino não costuma funcionar neste horário, é porque precisa ser estimulado.

7h às 9h – Estômago
Com a função de digestão, é o melhor horário para nos alimentarmos. Fazer um café da manhã reforçado neste período garante energia para o restante do dia. Caso a alimentação não aconteça neste horário, porém, pode acontecer o contrário e você se sentirá fraco pelas próximas horas.

9h às 11h – Baço
Em sequência à atividade do ciclo anterior, o baço irá usar todos os alimentos ingeridos e transformá-los em energia. Caso não consiga se alimentar no período anterior, aproveite este e não perca tempo. Garanta sua dose de energia diária!

11h às 13h – Coração
Um horário em que devemos fazer uma pausa, almoçar e relaxar o máximo possível. O coração não gosta de situações estressantes e também não se adapta a ambientes muito quentes. Então, neste intervalo, faça sempre o que estiver ao seu alcance para sair da rotina e aproveitar a calmaria.

13h às 15h – Intestino Delgado
A primeira hora dessa fase pode ser usada ainda para o almoço, mas na sequência é necessário evitar o trabalho pesado. A digestão está sendo feita e a energia também está se concentrando em ser gerada e distribuída para o restante do corpo. Assim como na fase do café da manhã, não se alimentar corretamente acarreta um cansaço extremo.

15h às 17h – Bexiga
Se bem alimentado e hidratado, este é o melhor período do dia para se dedicar a atividades importantes. Neste horário, temos um pico de energia e nos sentimos mais dispostos, vigorosos e até mesmo mentalmente estimulados e criativos.

17h às 19h – Rins
Na sequência do pico de energia começamos a sentir um declínio do vigor. O cansaço do dia começa a bater. Comer alguma coisa salgada pode estimular as funções dos rins e nos dar mais algumas horinhas de produtividade.

19h às 21h – Pericárdio ou Circulação-sexualidade
O horário é indicado para fazer atividades relaxantes ou relacionadas ao convívio familiar e amoroso. É neste horário que precisamos puxar o freio de mão nas atividades e induzir o sono, relaxar de todo o dia que tivemos e preparar o corpo para o merecido descanso.

21h às 23h – Meridiano Triplo Aquecedor
O período indicado para dormir. É um meridiano relacionado com diversos órgãos do nosso corpo, ativa a proteção e a gestão deles. O horário pode ter variação de alguns minutos de acordo com a estação do ano: mais cedo no inverno e mais tarde no verão.

23h à 1h – Vesícula biliar
Aqui o ato de dormir não é mais uma escolha, mas sim uma necessidade. Se o sono não for colocado em dia você sentirá automaticamente uma perda de energia instantânea.

1h às 3h – Fígado
O fígado é responsável pela capacidade de desintoxicação do nosso corpo, mas ele só consegue isso em repouso. Dormir ainda é a melhor forma de desfrutar deste período.

(Roberta Lopes – Equipe Eu Sem Fronteiras)

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Autoconhecimento

A CRIANÇA PEQUENA E AS IMPRESSÕES QUE A RODEIAM

Tudo o que é feito em sua presença é transformado, no seu organismo infantil, em espírito, alma e corpo. As inclinações que ele desenvolve dependem de como alguém se comporta em sua presença.

A criança durante os primeiros sete anos é realmente um completo olho. Se algo ocorre no ambiente da criança, digamos, para dar um exemplo extremo, um temperamento quando alguém fica furioso, então toda a criança terá uma imagem dentro dele dessa explosão de raiva. O corpo etéreo faz uma foto dele. Disso algo passa para toda a circulação do sangue e do sistema metabólico, algo que está relacionado a essa explosão de raiva. 

Isto é assim nos primeiros sete anos, e de acordo com isso o organismo se ajusta. Naturalmente, estes não são acontecimentos grosseiros, são processos delicados. Mas se uma criança cresce na proximidade de um pai bravo ou com uma professora temperada, o sistema vascular, os vasos sanguíneos, seguirá a linha da raiva. Os resultados dessa tendência implantada nos primeiros anos continuarão por todo o resto da vida. 

Estas são as coisas mais importantes para a criança. O que você diz a ele, o que você ensina, ainda não faz nenhuma impressão, exceto na medida em que ele imita o que você diz em seu próprio discurso. Mas é o que você é que importa; Se você é bom, essa bondade aparecerá em seus gestos, e se você é malvado ou mal-humorado, isso também aparecerá em seus gestos – em suma, tudo o que você faz você passa para a criança e segue um caminho dentro dela. 

Este é o ponto essencial. A criança é inteiramente órgão dos sentidos e reage a todas as impressões das pessoas que a rodeiam. Portanto, o essencial não é imaginar que a criança possa aprender o que é bom ou ruim, que ele possa aprender isso ou aquilo, mas saber que tudo o que é feito em sua presença é transformado, no seu organismo infantil, em espírito, alma e corpo. A saúde para toda a vida depende de como alguém se conduz na presença da criança. As inclinações que ele desenvolve dependem de como alguém se comporta em sua presença. 

Rudolf Steiner 

Tradução livre: Leonardo Maia

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Psicanálise

Presente, futuro e psicanálise

A psicanálise continua sendo, com seus avanços, poderosa arma terapêutica de ampliação do conhecimento sobre cada um e sobre relações humanas.

Como dispor do tempo que ainda viveremos -esse é nosso desafio, universalmente humano. Vale para qualquer idade e qualquer tempo, desconhecido, que a vida nos reservará. O presente é o fim e o início de dois tempos, passado e futuro, e é nele, no trânsito entre nossas recordações e nosso destino, que temos o nosso dizer e fazer.


O futuro se ancora nas escolhas que fazemos hoje, dentre aquilo que a vida nos apresenta e nossas criações próprias. Vivê-lo com qualidade ou jogá-lo fora depende de nós. Nos é dado redimensionar e reorganizar em nós o passado, mas, óbvio, não o viveremos mais.
Passado e futuro são referências apenas do presente. É disso que trata uma psicanálise. Diferentemente do que muitos imaginam, o fazer psicanalítico contemporâneo não se refere a falar do passado para entender o presente.


Ao inverso, por meio das formas relacionais que alguém mostra na sala de análise pode-se reconstruir imaginativamente seu passado, não necessariamente o factual, vivido “de fato”, mas, sim, a narrativa que dele faz para si mesmo.


Mais do que explicar, refere-se a compreender -ou criar sentidos em que a própria mente é apenas virtualidade, uma protomente.
Mais do que conjeturar o passado, importa configurar graus crescentes de liberdade interior para o indivíduo lidar com o presente e com a trama que imprime às suas relações, se apropriando daquilo que se vai revelando verdadeiro em seu ser. A apropriação de sua singularidade radical, a favor da vida, pode-se dizer o escopo nuclear de um processo analítico.


Não se trata, por exemplo, de uma pessoa não sofrer, mas, sim, de desenvolver seus equipamentos, em auxílio a se desviar dos sofrimentos evitáveis e enfrentar os que não o são. É assim que podemos ajudar. Estamos mais instrumentados que na época de Freud.


Além dos outros grandes mestres, a psicanálise segue, como todo campo de saber, sendo construída num trabalho diário de muitas mãos. Na Associação Psicanalítica Internacional, que Freud fundou, convivem e conversam entre si diversos modos de pensar, sendo natural, num mundo em rede como o nosso, um influenciar o outro.
Mantém-se perspectiva plural, para a maioria, por vezes pluralista.
A psicanálise representa hoje a peça de resistência do estudo da subjetivação e da subjetividade humana e segue tendo enorme influência em inúmeras outras áreas.


Continua sendo, com seus avanços, uma poderosa arma terapêutica de ampliação do conhecimento sobre cada um e sobre relações humanas.
Possibilitando a atualização de sua existência a cada um, permanece como uma ferramenta preciosa na busca de uma vida psíquica de qualidade. Como cada um de nós, ela não está pronta, fechada em seu saber e fazer. Influencia e é influenciada pelo tempo e pelo espaço que a circunda.

* PLINIO MONTAGNA, mestre em psiquiatria, psicanalista, é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), membro componente da Associação Psicanalítica Internacional. Foi docente da Faculdade de Medicina da USP. Fonte: Folha on line, 22/05/2011

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Comportamento

6 reflexões para entender o pensamento de Carl Jung

Fundador da psicologia analítica, o psiquiatra estudou termos essenciais para entender a psique coletiva

Nascido em 26 de julho de 1875, Carl Jung foi o psiquiatra suíço responsável por fundar a psicologia analítica, que explora a importância da psique individual e sua busca pela totalidade. Jung ajudou a popularizar termos comuns da psicologia, como “arquétipo”, o significado de “ego” e a existência de um “inconsciente coletivo”. Seu trabalho influenciou vários campos além da psicologia, como a antropologia, filosofia e teologia.

Como pesquisador em um hospital psiquiátrico na Suíça, Jung chamou a atenção de Sigmund Freud, fundador da psicanálise, e vários conceitos desenvolvidos pelos dois apresentam semelhanças. Conheça as conclusões mais notáveis observadas por ele:

Em Tipos Psicológicos, um de seus livros mais influentes, Jung analisa os padrões da personalidade e comportamento que compõem as singularidades de um indivíduo. Para o psiquiatra, todas essas características são resultado da maneira única como cada pessoa opta por utilizar suas capacidades mentais.

Como exemplo, Jung afirma que existem duas “atitudes” opostas, conhecidas como extroversão e introversão: cada indivíduo parece dividir sua energia entre o mundo externo e interno, em diferentes escalas. O introvertido se sente mais confortável com seus próprios pensamentos e sentimentos enquanto o extrovertido se sente “em casa” quando lida com outras pessoas e objetos, além de prestar mais atenção sobre seu impacto diante do mundo — introvertidos, por sua vez, costumam observar como o mundo ao seu redor os afeta. Jung foi um dos principais estudiosos sobre esse traço de personalidade e ajudou a popularizar o conceito.

Todas as pessoas carregam quatro funções cognitivas principais
Ao contribuir com sua teoria sobre “tipos” psicológicos, Jung também mostrou que pessoas pensam, sentem e experimentam o mundo de maneiras distintas. Ele identificou quatro funções psicológicas fundamentais: a sensação, pensamento, sentimento e intuição. Cada uma delas pode operar tanto através do indivíduo introvertido como do extrovertido. Normalmente, apenas uma dessas características é mais dominante — a chamada “função superior”. As demais funções são mantidas no inconsciente, menos notáveis e desenvolvidas.

Em poucas palavras, devemos ter uma função que indique algo que existe — a sensação —, outra, o pensamento, estabelece o que isso significa; a terceira declara se aquilo nos convém e se queremos aceitar essa coisa ou não — o “sentir” — e a última, a intuição, serve como uma percepção inconsciente das coisas, indicando “de onde vieram e para onde estão indo”.

Seres da mesma espécie compartilham semelhanças em suas “mentes inconscientes”
Segundo Jung, nascemos com uma herança psicológica, assim como a herança biológica. As duas são importantes para determinar traços de comportamento: “assim como o corpo humano representa um ‘museu de órgãos’, cada um com um longo período evolutivo por trás dele, devemos esperar que a mente também esteja organizada desta forma”, explicou. O psiquiatra enfatiza que o inconsciente coletivo é o centro de todo aquele material psíquico que não surge a partir da experiência pessoal. Seu conteúdo e imagens parecem ser compartilhados por pessoas de todas as épocas e culturas, enquanto o inconsciente pessoal envolve o passado e memórias de cada indivíduo. O conceito afirma que nossa mente já nasce com uma estrutura capaz de determinar seu desenvolvimento no futuro e sua interação com o meio em que vive.

Os elementos comuns no inconsciente coletivo são chamados de arquétipos, ideias e imagens herdadas para responder ao mundo de certas maneiras. Jung identificou-os ao notar que vários pacientes descreviam sonhos e fantasias que incluíam referências que não poderiam ser rastreadas em seus passados pessoais. O estudioso também observou que muitos desses elementos envolvem figuras e temas religiosos encontrados em diversas culturas e mitologias.

O ego é o centro do consciente humano
Para Jung, o ego é um dos principais arquétipos da personalidade e o centro da consciência. Ele fornece direção às nossas “vidas conscientes” e tenta nos convencer de que devemos sempre planejar e analisar nossas experiências conscientemente. A explicação é parecida com a versão do psicanalista Sigmund Freud: o ego surge do inconsciente e reúne várias memórias e experiências, desenvolvendo assim a verdadeira divisão entre o inconsciente e consciente.

Todo indivíduo assume uma “máscara” sobre o inconsciente coletivo
Outro arquétipo, a persona é a aparência que apresentamos ao mundo, o personagem que assumimos perante a sociedade, incluindo nossos papéis sociais, as roupas que vestimos e a maneira como nos expressamos. Todos os indivíduos passam por essa adaptação, que tem aspectos negativos e positivos. A persona pode ser crucial para o desenvolvimento da personalidade, quando o ego passa a se identificar com o papel que desempenhamos. De acordo com Jung, é comum derrubarmos essa identificação para aprender quem somos de verdade no processo de individualização, mas é possível que as pessoas também passem a acreditar de verdade nessa “máscara” ilusória da persona. Membros de grupos minoritários tendem a ter problemas de identidade causados pelo preconceito cultural e a rejeição social de seus personagens, por exemplo.

“Mesmo uma vida feliz não pode existir sem um pouco de escuridão”
Em entrevista ao jornalista Gordon Young, feita em 1960, Jung observa que a palavra “felicidade” perderia seu significado se não fosse equilibrada por um pouco de tristeza. “É compreensível que busquemos a felicidade e evitemos os momentos de pouca sorte”, explica. “Mesmo assim, a razão nos ensina que essa atitude não é razoável e o melhor seria encarar as coisas conforme elas surgem, com paciência e tranquilidade.”

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/02/6-reflexoes-para-entender-o-pensamento-de-carl-jung.html

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Comportamento

Existem mais pais hiperpassivos do que crianças hiperativas

O termo hiperatividade se tornou muito popular. Muitos pais pensam que seus filhos sofrem desse transtorno, que seus filhos são crianças hiperativas. Respeitando os defensores e difamadores da existência de tal transtorno, parece que não existem tantas crianças que o tenham a ponto de justificar o grande número de diagnósticos que têm sido feitos. Isto é, falamos de um transtorno – no caso de poder falar dele como tal – super diagnosticado.

Existem muitos pais, muitos mesmo, que recorrem aos centros de psicologia, psiquiatria infantil, ou neurologia em busca de um diagnóstico que confirme suas suspeitas. Uma suspeita que, segundo eles, aponta que seu filho é hiperativo. O fato é que muitas vezes este diagnóstico não se confirma e os pais saem mais desanimados da consulta do que entraram (por mais contraditório que pareça), e outras vezes este diagnóstico é confirmado, mas se dá de forma equivocada.

Em uma primeira consulta com os pais, depois de identificar condutas problema, é feita uma avaliação do menor e da dinâmica familiar. Se for necessário intervém-se na família, a fim de otimizar a dinâmica familiar e a conduta da criança.

Crianças hiperativas ou pais hiperpassivos?

Alguns dias atrás, enquanto lia um texto da internet que dizia: “Existem mais pais hiperpassivos do que crianças hiperativas”, fiquei pensando e isso me fez refletir e decidir escrever um artigo sobre este tema. Achei que haveria questões interessantes, então vamos a elas.

Existe e é conhecida a enorme demanda de diagnósticos de Transtornos de Atenção ou Transtornos por Déficit de Atenção com ou sem hiperatividade (TDAH) em crianças que não se concentram em sala de aula, não fazem suas lições, se mexem demais, são mais inquietas… Além disso, podemos enumerar mais queixas que, disfarçadas de sintomas, fazem os pais ou os professores acreditarem que estas crianças (que não atendem às suas expectativas) têm algum tipo de problema ou transtorno psicológico.

Vão dando voltas pelas consultas com diferentes profissionais e especialistas com o objetivo de diagnosticar e rotular seus filhos como hiperativos para ficarem tranquilos e, no pior dos casos, medicá-los. E desta forma, agir de forma hiperpassiva.

Pais excessivamente ocupados e preocupados

É verdade que as mães e os pais não passam o dia todo sentados assistindo à televisão ou olhando o celular. Muitos têm inclusive mais de um trabalho fora de casa, além das tarefas domésticas. No dia a dia não param, vivem estressados, com pressa, estão muito ocupados (e as crianças também) e chegam tarde e cansados em casa, passam muito pouco tempo com seus filhos e o pouco tempo que passam é de forma passiva.

Os pais e os filhos têm tão pouca energia ao chegar em casa que não têm vontade de brincar na rua, cozinhar juntos, não existe tempo para se jogar no chão para brincar em casa, fazer cócegas na cama, fazer torres com blocos, cantar ou dançar, rir juntos, inventar histórias com bonecos ou animais, contar histórias, etc.

A tecnologia e as telas ocupam esses momentos compartilhados. Assim, as crianças não têm oportunidades de gastar a sua energia, chegando inclusive a sofrer sintomas de ansiedade, estresse ou tristeza excessiva, tédio ou esgotamento. E os pais começam a se preocupar com esses sintomas.

Passar mais tempo com os filhos implica reforçar vínculos

Acredito firmemente que vale a alegria, mais que a pena, passar mais tempo com os filhos para brincar e estar presentes com eles enquanto a infância durar. Então, é preciso se esforçar para criar outras formas de estar com eles em função da sua maturidade e das suas necessidades peculiares. Nunca é tarde para a revisão e a mudança.

Porque não existem tantas crianças hiperativas, nem tantas crianças com problemas de conduta, existem muito mais pais hiperpassivos, que não assumem de forma responsável a paternidade. Inclusive, tendo-a escolhido, parecem não ser conscientes de tudo o que isso implica, do gasto de energia, de passar tempo com os filhos, de se ocupar das necessidades dos seus filhos. Também de conseguir muitas realizações, momentos de felicidade e fortalecimento do vínculo paterno filial, que sem dúvida, é a base de um bom desenvolvimento psicoemocional das crianças.

Quando alguma coisa não funciona em casa, ou percebemos que nossos filhos podem estar com algum problema, é hora de parar e analisar a situação.

Fonte:

https://www.pensarcontemporaneo.com/existem-mais-pais-hiperpassivos-que-criancas-hiperativas/?fbclid=IwAR2ClrkO4yFVeQ7uI_1h1mK_jroTzJ6yLj0LZd5kbsvyEeCxSHjzjC31kRw

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Psicanálise

Freud explica: entenda sete conceitos básicos da psicanálise

O campo de conhecimento estudado por Sigmund Freud busca entender os significados do inconsciente humano.

Quem nunca se viu repetindo comportamentos que havia prometido deixar para trás? Ou fazendo coisas que prejudicam a si mesmo, por mais irracional que isso pareça? Quantas vezes você se espantou com uma palavra fora de contexto que saiu no meio de uma frase? E sonhos bizarros, quem não tem?

Todas essas situações, sem relação aparente entre si, podem ser explicadas pela existência de uma única instância psíquica, que subverte nossas intenções e vontades: o inconsciente. A humanidade deve a Sigmund Freud essa descoberta. Apesar das transformações sociais, culturais e tecnológicas dos últimos 120 anos, o método psicanalítico criado por Freud para lidar com o mal-estar inerente à condição humana segue atual.

Ao criar esse novo campo do conhecimento, Freud desenvolveu diferentes conceitos teóricos para sustentar suas pesquisas. Confira a seguir os termos essenciais da psicanálise:

Inconsciente
Freud demonstrou que a maior parte da vida psíquica se desenrola sem que tenhamos acesso a ela. Ali se encontram principalmente ideias reprimidas que aparecem disfarçadas nos sonhos e nos sintomas neuróticos.

Ego
A parte organizada do sistema psíquico que entra em contato direto com a realidade e tem a capacidade de atuar sobre ela numa tentativa de adaptação. O ego é mediador dos impulsos instintivos do id e das exigências do superego.

Id
Fonte da energia psíquica, é formado por pulsões e desejos inconscientes. Sua interação com as outras instâncias é geralmente conflituosa, porque o ego, sob os imperativos do superego e as exigências da realidade, tem que avaliar e controlar os impulsos do id, permitindo sua satisfação, adiando-a ou inibindo-a totalmente.

Superego
É formado a partir das identificações com os pais, dos quais assimila ordens e proibições. Assume o papel de juiz e vigilante, uma espécie de autoconsciência moral. É o controlador por excelência dos impulsos do id e age como colaborador nas funções do ego. Pode tornar-se extremamente severo, anulando as possibilidades de escolha do ego.

Pulsão
Conceito situado na fronteira entre o psíquico e o somático. A pulsão é a representante psíquica dos estímulos que se originam no organismo e alcançam a mente. É diferente do instinto, pois não apresenta uma finalidade biologicamente predeterminada, e é insaciável, pois tem relação com um desejo, e não com uma necessidade.

Sonhos
Caminho de ouro para o acesso ao inconsciente. A interpretação do conteúdo dos sonhos revela desejos e percepções que de outro modo não chegariam à consciência.

Complexo de Édipo
Entre dois e cinco anos, aproximadamente, a criança desenvolve intenso sentimento de amor pelo genitor do sexo oposto e grande hostilidade pelo do próprio sexo. Tais sentimentos geralmente são vividos com grande ambivalência. O conflito costuma declinar por volta dos cinco anos, e uma boa estruturação da personalidade depende de sua resolução satisfatória.

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/11/freud-explica-entenda-sete-conceitos-basicos-da-psicanalise.html

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Autoconhecimento

O que realmente importa?

Por que minha gaveta não fecha e esta
sempre bagunçada, se eu só uso 3 camisas
e 2 calças?
Por que eu tenho uma caixa de meias sem par?
Por que tenho 6 pares de tênis, se eu repito 
o mesmo par toda semana?
Por que a pia esta sempre lotada,
se eu uso 2 talheres, 1 prato e 1 copo?
Por que eu como mais do que meu corpo realmente
necessita?
Por que minhas contas são maiores que meu salário?
Por que sinto que falta, quando na verdade
não tenho o mínimo espaço e tempo?
Por que gasto tempo que não recordo, e recordo
momentos gastando tempo?
Alimento um espirito egoísta e individualista a anos, sem perceber.

Quando chego em casa, depois de um dia de trabalho,
geralmente me sinto cansado, ansioso, e frustrado, a espera
do fim de semana que sempre chega. E por que isso acontece?
Por excesso de consumo e falta de criação.

Nós somos instintivamente criativos, tão criativos que pintamos gaiolas sobre nossos desejos, e compramos desejos que nos vendem fora dessa gaiola.
A mente com excessos é uma mente nublada e sem espaço para fluência. Fluência é constância,
e não se manter constante (pelo menos por um período significativo) é a causa real da minha falta de energia emocional.

Deixar de suportar o dia-a-dia e começar a “estar”
no dia é um ponto de virada que requer muito mais
que presença, requer disciplina. E existe maneira
mais fácil de se auto disciplinar quando se tem
apenas aquilo que realmente importa?
O que realmente importa?
Hoje, iniciei uma caminhada Minimalista.
– Bruno Palma

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Curiosidades

Vamos plantar água? Água se planta com Agroflorestas

“A Vida baseada no Amor Incondicional gera abundância.” Ernst Götsch

Em períodos de secas, queimadas e clima insalubre devido a baixa umidade do ar e a fumaça dos incêndios, ocasionando um desastre ambiental de proporções catastróficas para o Brasil e o mundo é mister lembrar as lições de Ernst Götsch e as suas amadas e benfazejas agroflorestas.

Ernst Götsch nos mostra que agroflorestas são agroecossistemas semelhantes aos sistemas naturais: “a vida não conhece tempo, conhece fluxo.” Observando esta premissa ecossistêmica recupera solos degradados, sem insumos de fora, ao contrário da “revolução verde” e do modelo insustentável do agronegócio latifundiário e da monocultura.

A agrofloresta evita ciclos anti-ecológicos com desarmonia inoportuna. O Planeta Terra é um biocondensador, pois capta 1% da energia solar e armazena hidrocarbono, portanto as queimadas são suicídio.

A agrofloresta produz madeira, que não é plantada com esta finalidade exclusivamente, pois é um subproduto.

Ernst Götsch nos conta que comprou uma fazenda com o sintomático nome de “Fugidos da Terra Seca”, em Tabuleiro de Valença, na Bahia. Implantou o sistema de agroflorestas neste lugar seco e que o sistema impede secas na fazenda, mudando o nome da fazenda para “Olhos d’água”, pois as chuvas são retidas, houve formação de córregos, e tem quase o dobro de precipitação pluvial que as outras propriedades rurais no entorno.

Conta que se vale dos dispersores naturais de sementes: pássaros, até animais exóticos, cotias, outros  até então eram considerados extintos.

Frugívoros como o macaco-prego são plantadores de cacau e de jaca.Outro semeador é a paca, o gavião planta pupunha, a saúva é grande reflorestadora. Otimizadores do processo da vida!

Lembra que o guanandi na Mata Atlântica é indicador de nascente de água. Minhocoçu, com cerca de 2 metros e 350 gramas é indicador de terra boa.

Sua dica é plantar o que pode dar no local. A regeneração na floresta ocorre a partir de clareiras, até chegar a uma mata de clímax com ipês-roxo, guapuruvus. Na clareira planta logo pitanga e ingá, por exemplo.

Na caatinga recomenda plantar sisal, depois beldroega, mandacaru (cactus), guandu, feijão, caju, mamão.

Cuidado com animais domésticos (cabras, ovelhas, porcos,bovinos)  pois modificam a paisagem, originando a estepe.

“As espécies tem função prazerosa, criam o paraíso na Terra em comunicação.”

Saber do princípio hermético, atentando para processos regenerativo, respiratório. Cada espécie é pré-determinada pela que a precede, “somos parte de um sistema inteligente” recorda Götsch.

Colonizadores (bactérias), acumuladores com ciclos respiratório e regenerativo paralelos à ação dos polinizadores como as formigas, insetos, animais dispersores de sementes trazem muita abundância com muitos animais de grande porte atuando juntos com a sucessão natural para uma biodiversidade consolidada.

A placenta da agrofloresta são as vassouras, marcela, guandu. As criadoras da placenta são batata-doce, mandioca para uma densidade definitiva de vegetação semelhante a um monocultivo com respiração para levar a uma transformação com plantas secundárias tais como banana-nanica, araçá-mirim, jurubeba, tomate de árvore e chegando a um ciclo longo com pitanga, goiaba, abacate, araticum, ingá-cipó, algumas das canelas.

Lembrando que  leva de 250 a 300 anos para chegar ao clímax com as características de auto-reprodução da floresta (um ciclo completo de respiração da floresta ).

Em tempos de seca, principalmente ética e intelectual dos políticos brasileiros, propondo uma revisão desastrosa do Código Florestal Brasileiro recordemos Benjamin Franklin: “se as cidades forem destruídas e os campos forem conservados, as cidades ressurgirão, mas se queimarem os campos e conservarem as cidades, estas não sobreviverão.”

Acrescento: sem a floresta o campo perecerá queimado e desértico como podemos ver atualmente no Cerrado e na Amazônia.

Fonte:

http://www.aguaboanews.com.br/noticias/exibir.asp?id=6275&noticia=vamos_plantar_agua_agua_se_planta_com_agroflorestas